
Depois de chegar perto de US$ 120 na manhã de 2ª feira (9/3), o barril do petróleo Brent, uma das referências do mercado global, despencou. A queda foi motivada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra de seu país e de Israel contra o Irã estaria perto do fim. Mas permanecem as dúvidas sobre o desfecho do conflito e principalmente sobre o valor do petróleo – e, por tabela, seus efeitos na economia mundial, com impactos já sentidos no Brasil.
Na 3ª feira (10/3), às 15h (horário de Brasília), o barril do Brent para maio era negociado a US$ 84,50 – queda de quase 15% sobre o fechamento do dia anterior, informa o E-Investidor. O percentual de queda era similar com o WTI, dos EUA, outra referência do mercado -, cujo barril para abril estava cotado a US$ 80,30.
A fala de Trump é mais uma tentativa de acalmar os eleitores estadunidenses do que o mercado internacional. O “agente laranja” está de olho nas eleições legislativas de novembro, que podem tirar a Câmara e o Senado do controle dos republicanos. Se isso ocorrer, a sobrevivência política de Trump dependerá da oposição democrata – que certamente não está disposta a compactuar com seus desmandos, inclusive nas áreas ambiental e climática.
O aumento dos preços do petróleo intensificou os alertas de alguns republicanos sobre os riscos políticos de um conflito prolongado, já que o governo Trump tem emitido mensagens contraditórias sobre seus planos, segundo o Washington Post. Mesmo com a Casa Branca afirmando que os aumentos seriam temporários, ficou claro que o “agente laranja” tentava minimizar as consequências políticas.
Até porque a maioria dos estadunidenses acredita que os preços da gasolina vão subir nos próximos meses por causa da decisão de Trump de atacar o Irã, mostra uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída anteontem e repercutida pelo InfoMoney. O novo levantamento também constatou que apenas 29% dos estadunidenses aprovam os ataques do Irã. É pouco acima dos 27% registrados em uma pesquisa realizada nas horas imediatamente após o início da campanha militar.
Em outra frente, a escalada dos preços do petróleo fez com que os países do G7 (incluindo os EUA) avaliassem a liberação de suas reservas estratégicas para tentar acalmar os ânimos do mercado. A primeira reunião do grupo com a Agência Internacional de Energia (IEA), que supervisiona esses estoques, não chegou a um acordo. Mas, em novo encontro ontem, o G7 encarregou a IEA de preparar cenários para liberá-los, se for necessário, explicam Valor e Wall Street Journal.
O preço-justo do petróleo bruto provavelmente estaria na casa dos US$ 60 por barril sem o atual choque de oferta relacionado à guerra no Irã, afirma Daan Struyven, cochefe de pesquisa global de commodities do banco Goldman Sachs. Ao mesmo tempo, o especialista alerta que interrupções no Estreito de Ormuz – que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo – poderiam elevar os preços significativamente, dependendo de quanto tempo os fluxos permanecerem restritos, relata o Investing.com.
Apesar da volatilidade atual, o Goldman Sachs não alterou sua previsão central para os preços do petróleo no médio e longo prazos. “Como os dados de fluxo do Estreito de Ormuz são ruidosos e a situação mais ampla permanece fluida, não alteramos nossa previsão de preço do petróleo (Brent/WTI em US$ 66/62 no quarto trimestre de 2026 e US$ 70/66 em 2027), mas estimamos os grandes riscos de alta em cenários de interrupção mais prolongada”, afirma Struyven.
Forbes, AP, DW e Forbes também repercutiram a oscilação dos preços do petróleo e seus efeitos econômicos.
Em tempo: Os bombardeios de EUA e Israel à infraestrutura petrolífera do Irã terão grandes repercussões ambientais a longo prazo, alertam especialistas, enquanto os responsáveis pelo monitoramento admitiram ter dificuldade para acompanhar os desastres ambientais decorrentes da crescente guerra, informa o Guardian. O depósito de petróleo de Shahran, a nordeste de Teerã, e o depósito de combustível de Shahr-e, ao sul, continuavam em chamas na 2ª feira (9/3), dois dias após terem sido bombardeados por aviões de guerra israelenses. Imediatamente após os ataques, a agência ambiental do Irã e a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano alertaram os moradores de Teerã para que permanecessem em casa, avisando que os produtos químicos tóxicos espalhados pelos ataques aéreos a cinco instalações de combustíveis fósseis na cidade poderiam causar chuva ácida e danos à pele e aos pulmões.



