
Um estudo publicado na 3ª feira (10/3) indica que quase 50 países têm algum tipo de planejamento para eliminar os combustíveis fósseis no setor energético. O levantamento chega em um momento em que o debate sobre o afastamento de petróleo, gás fóssil e carvão ganha urgência após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, que levaram o preço do petróleo às alturas.
Liderado pelo centro de pesquisa IISD (Canadá), com participação de E3G (Reino Unido), Ecco (Itália), Sefia (Turquia) e Observatório do Clima (Brasil), o estudo centra-se na questão prática de como conceber roteiros eficazes para a transição, tanto em nível global como nacional, explica o IISD. Especialistas enxergam o cenário atual como “um copo meio cheio, meio vazio”.
O estudo mapeou 46 países com algum tipo de plano de descarbonização do setor elétrico. Outras 11 nações, como Brasil e Colômbia, estudam limitar ou reduzir a oferta de petróleo, gás e carvão, detalha O Globo.
O documento inclui estudos de caso que abrangem as Parcerias de Transição Energética Justa (JETPs) na África do Sul, Indonésia, Vietnã e Senegal; processos nacionais de eliminação gradual do carvão na Alemanha, Chile, Canadá e Dinamarca; e esforços emergentes de elaboração de mapas do caminho domésticos na Colômbia, Turquia e Brasil. Logo, elementos para a construção dos mapas do caminho já vêm sendo testados na prática em vários países, mas a governança estruturada e a previsibilidade de financiamento são decisivos, destaca o relatório.
Quanto aos desafios, o documento lista que a transformação econômica gerada pela redução da dependência dos combustíveis fósseis demanda aumento da eletrificação dos transportes, expansão de fontes renováveis como eólica e solar e reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis. Este último ponto, em especial, mostra-se complexo por ser uma indústria ligada ao funcionamento político de muitos países, explica o Observatório do Clima.
“A dependência dos combustíveis fósseis não é apenas uma vulnerabilidade econômica, mas um motor de instabilidade global, expondo produtores e consumidores igualmente à crescente volatilidade, aos riscos de segurança e aos riscos climáticos”, afirma Katrine Petersen, assessora sênior de políticas da E3G. “O forte apoio na COP30 a um mapa do caminho global reflete um reconhecimento crescente de que a transição já está em curso.”
O Canal Solar lembra que em pouco mais de um mês acontecerá em Santa Marta, na Colômbia, a primeira conferência internacional voltada a discutir a transição para longe dos combustíveis fósseis. O encontro deverá reunir cerca de 80 países que já declararam ter interesse no mapa do caminho na COP30.
Em tempo: Adotando medidas de combate similares às impostas à indústria do tabaco no século passado, diversas cidades no mundo estão proibindo publicidade em espaços públicos de produtos e serviços que apresentam alto consumo de combustíveis fósseis e emissão de carbono. Haia e Amsterdã, na Holanda, Estocolmo, na Suécia, Florença, na Itália, são algumas das cidades que adotaram a medida, informam BBC e g1. Em 2024, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a desinformação climática foi "auxiliada e incentivada pelas empresas de publicidade e relações públicas". E pediu a todos os países do mundo que proíbam a publicidade da indústria de combustíveis fósseis.



