Países da IEA decidem liberar reservas para tentar conter preços do petróleo

A medida pode ser inócua, já que o volume liberado equivale a 4 dias de consumo global ou 20 dias dos barris que passam pelo Estreito de Ormuz.
11 de março de 2026
Un pozo petrolero en Midland, Estados Unidos, en una fotografía de archivo.
EFE/Larry W. Smith

Os Estados-membros da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em Inglês) concordaram na 4ª feira (11/3) em liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo. Sem sinal de trégua na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a liberação é uma tentativa de conter a escalada de preços do combustível fóssil no mercado internacional. Seus efeitos, porém, podem ser limitados.

Os 32 países da IEA vão liberar até 400 milhões de barris de petróleo – a maior oferta de reservas já feita pela entidade, criada em 1974 como resposta à crise do petróleo de 1973. A agência, porém, não estabeleceu um cronograma para a liberação, que ocorrerá conforme as circunstâncias nacionais de cada membro, informam UOL, g1, Poder 360, AP, Al Jazeera e CNBC.

Para serem membros da IEA, os países têm de possuir reservas de petróleo de emergência, equivalentes a 90 dias de importações líquidas. Os integrantes da agência são países da Europa e da América do Norte, além da Austrália, da Coreia do Sul, do Japão e da Nova Zelândia. Juntos, têm estoques superiores a 1,2 bilhão de barris. Há ainda 600 milhões de barris em reservas obrigatórias da indústria.

A nova liberação será a 6ª coordenada pela IEA. Ações semelhantes ocorreram em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia. O diretor-geral da agência, Fatih Birol, afirmou que a medida, aprovada por unanimidade, visa mitigar os impactos imediatos da interrupção do fornecimento de petróleo decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã. No entanto, Birol frisou que o tráfego de navios-tanque precisa ser retomado para restabelecer o fluxo estável de petróleo e gás no mercado global.

A questão é saber se a liberação conseguirá estancar a subida dos preços do petróleo. Os 400 milhões de barris equivalem a quatro dias de consumo global do combustível fóssil. E a 20 dias do volume de óleo cru que passa por Ormuz – cerca de 20% do que é consumido diariamente no mundo.

Neil Shearing, economista-chefe global da Capital Economics, afirmou ao Guardian que é importante saber se o petróleo adicional pode ser transportado para onde for necessário. E pontuou que um conflito prolongado pode consumir reservas que a IEA não consegue repor.

Ex-conselheiro econômico do ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown e executivo da petrolífera BP, Nick Butler alertou contra uma liberação impulsiva de estoques de petróleo, pois a crise pode se prolongar. E afirmou que o fornecimento de gás fóssil (GNL), e não o de petróleo, era o que estava sob maior pressão – e não há equivalente à IEA para suprir o gás oriundo do Oriente Médio.

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