
Os Estados-membros da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em Inglês) concordaram na 4ª feira (11/3) em liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo. Sem sinal de trégua na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a liberação é uma tentativa de conter a escalada de preços do combustível fóssil no mercado internacional. Seus efeitos, porém, podem ser limitados.
Os 32 países da IEA vão liberar até 400 milhões de barris de petróleo – a maior oferta de reservas já feita pela entidade, criada em 1974 como resposta à crise do petróleo de 1973. A agência, porém, não estabeleceu um cronograma para a liberação, que ocorrerá conforme as circunstâncias nacionais de cada membro, informam UOL, g1, Poder 360, AP, Al Jazeera e CNBC.
Para serem membros da IEA, os países têm de possuir reservas de petróleo de emergência, equivalentes a 90 dias de importações líquidas. Os integrantes da agência são países da Europa e da América do Norte, além da Austrália, da Coreia do Sul, do Japão e da Nova Zelândia. Juntos, têm estoques superiores a 1,2 bilhão de barris. Há ainda 600 milhões de barris em reservas obrigatórias da indústria.
A nova liberação será a 6ª coordenada pela IEA. Ações semelhantes ocorreram em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia. O diretor-geral da agência, Fatih Birol, afirmou que a medida, aprovada por unanimidade, visa mitigar os impactos imediatos da interrupção do fornecimento de petróleo decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã. No entanto, Birol frisou que o tráfego de navios-tanque precisa ser retomado para restabelecer o fluxo estável de petróleo e gás no mercado global.
A questão é saber se a liberação conseguirá estancar a subida dos preços do petróleo. Os 400 milhões de barris equivalem a quatro dias de consumo global do combustível fóssil. E a 20 dias do volume de óleo cru que passa por Ormuz – cerca de 20% do que é consumido diariamente no mundo.
Neil Shearing, economista-chefe global da Capital Economics, afirmou ao Guardian que é importante saber se o petróleo adicional pode ser transportado para onde for necessário. E pontuou que um conflito prolongado pode consumir reservas que a IEA não consegue repor.
Ex-conselheiro econômico do ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown e executivo da petrolífera BP, Nick Butler alertou contra uma liberação impulsiva de estoques de petróleo, pois a crise pode se prolongar. E afirmou que o fornecimento de gás fóssil (GNL), e não o de petróleo, era o que estava sob maior pressão – e não há equivalente à IEA para suprir o gás oriundo do Oriente Médio.



