
Quanto mais o planeta aquece, mais umidade fica retida na atmosfera e mais tempestades extremas nos atingem. Somando à equação de fim do mundo as desigualdades e o planejamento urbano inadequado, chegamos ao cenário de Juiz de Fora em fevereiro deste ano. Foram 2 mil moradias totalmente destruídas, 65 mortes de mais de 8 mil desabrigados ou desalojados, como conta o g1.
Segundo análise da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, a cidade registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história, com mais de 750 mm de precipitação – três vezes a quantidade esperada para o período. As chuvas extremas também foram 65% superiores ao recorde de 456 mm, estabelecido em 1988.
Atualmente, o planeta caminha para um aquecimento de 2,3°C e 2,5°C até o final do século. A WWA estimou que as tempestades devem se tornar 7% mais severas em um clima 2,6°C acima dos níveis pré-industriais.
Para os autores do estudo, a prioridade deve ser a eliminação gradual, mas na maior brevidade possível, os gases de efeito estufa provenientes da queima de petróleo, gás e carvão, além de implantar medidas mitigatórias, como a conservação de áreas naturais e matas ciliares e infraestrutura verde urbana, destacam Guardian e ((o))eco.
“É vital que lutemos para evitar qualquer fração de grau de aquecimento adicional. A cada ano que adiamos a ação urgente e necessária aumentam ainda mais as chances de eventos climáticos extremos que ceifarão vidas e destruirão meios de subsistência”, afirma Friederike Otto, professora de ciências climáticas do Imperial College London.
Nesta semana, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) recomendou que a prefeitura de Juiz de Fora só libere as áreas interditadas pelas chuvas após avaliação técnica rigorosa da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, informa o g1. Para o promotor de Justiça Alex Santiago, o resultado das fortes chuvas que atingiram a região evidencia a vulnerabilidade da cidade e a necessidade de respostas institucionais estruturadas e contínuas.
Outra análise recente, ainda não revisada por pares, mostra que o preço do café arábica disparou nos últimos anos no Brasil devido a condições climáticas extremas que reduziram as colheitas em 15 a 20%.
Em Minas Gerais, as condições mais úmidas do que o habitual agravaram a disseminação de doenças nas plantações de arábica. Ainda segundo o Guardian, a situação é sentida há pelo menos cinco anos nas prateleiras dos mercados do Reino Unido, onde o preço do café moído aumentou em cerca de um quarto.
Em tempo:A cidade de Ubá registrou uma morte por leptospirose após as chuvas fortes que atingiram a Zona da Mata mineira em fevereiro, informa o UOL. Outros 41 casos estão sendo investigados no município. O governo de Minas chegou a publicar um alerta epidemiológico, orientando que os moradores que enfrentaram situações de alagamento devem ficar atentos a sintomas como febre, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas e mal-estar e procurar imediatamente uma Unidade de Saúde para avaliação médica.



