
Sobe e desce na balança do diesel: do lado do governo federal, foram assinados dois decretos e uma medida provisória (MP) para atenuar os reflexos da alta dos preços; do outro lado, a Petrobras anunciou reajuste do preço do diesel vendido às distribuidoras a partir deste sábado (14/3).
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que as medidas anunciadas pelo governo na 5ª feira (12/3) garantem abastecimento e “seguram o preço” do diesel, informam Valor e Agência Brasil.
Entre os decretos assinados por Lula, um é voltado para zerar as alíquotas do PIS e da COFINS na importação e comercialização do diesel; o segundo estabelece “medidas de transparência e fiscalização para o combate à especulação e a preços abusivos no Brasil”; já a MP institui uma subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores. O texto também estipula um imposto de exportação de 12% sobre petróleo bruto e de 50% sobre diesel, informa o Jornal do Comércio.
O intuito é reduzir, ao todo, pelo menos R$ 0,64 por litro na bomba. As medidas levam em conta que o Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, explica o Poder 360.
Ao mesmo tempo em que o governo busca conter os danos da guerra no Oriente Médio, que não têm prazo de validade, a Petrobras anunciou o reajuste do preço do diesel vendido às distribuidoras. O valor médio passou para R$ 3,65 por litro, o que representa um aumento de R$ 0,38 por litro, informam ICL Notícias, Revista Exame e SBT News.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que o consumidor final não deve sentir o impacto do aumento e que, apesar de variações de estado para estado, o custo adicional deve ser de R$ 0,06 por litro.
Porém, um levantamento feito pela startup TruckPag mostra que, em 16 dias de guerra no Irã, o preço do diesel S-10 subiu, em média, 18,75% no país – valor equivalente a R$ 1,08 por litro. A empresa monitora o preço do diesel em tempo real em 4.700 postos, sendo 94% em rodovias, onde ocorre a maior parte do abastecimento de caminhões, destaca o Valor.
O estado com maior alta foi a Bahia, com 29,11%, o equivalente a R$ 1,68 por litro. Rio de Janeiro (28,32%), Sergipe (24,41%), Goiás (23,19%), Maranhão (22,35%), Paraná (21,28%), Pernambuco (20,44%) e Santa Catarina (20,12%) também registraram aumentos superiores a 20%.
Times Brasil, CBN, Folha de Boa Vista também falaram do reajuste da Petrobras sobre o valor do diesel.
Em tempo: o Ministério de Minas e Energia (MME) prevê a publicação de um decreto, ainda neste mês, para regulamentar a captura de carbono no país — o que anima o setor de combustíveis fósseis, oferecendo uma possibilidade de continuidade às suas operações de expansão em meio à urgência climática. Em nota, o MME disse à Folha que a tecnologia tem "caráter estratégico para a transição energética, a descarbonização da indústria e o cumprimento das metas climáticas brasileiras". No entanto, os benefícios e os perigos da injeção de grandes volumes de CO2 no subsolo ainda não são plenamente conhecidos. O próximo relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), aliás, deve incluir um capítulo sobre os limites e os riscos da técnica. Segundo Caroline Rocha, diretora executiva da Laclima, a tecnologia deve ser regulamentada, mas "não pode ser usada como argumento para evitar o corte de emissões ou para manter a extração e a queima de combustíveis fósseis".



