
Produtores rurais de diferentes regiões do Brasil estão preocupados com a alta do preço do diesel provocada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Embora produza mais petróleo do que consome, o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel, por limitações em seu parque de refino. E mesmo o aumento da adição de biodiesel no combustível de origem fóssil depende da oferta do biocombustível e de questões técnicas.
Por isso, o novo choque do petróleo antecipa um debate inevitável: a substituição das máquinas agrícolas a combustíveis fósseis por equipamentos elétricos, destaca o Gigante 163. O uso de sistemas totalmente elétricos não só é possível, como também pode melhorar os resultados no campo e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Mas o processo de eletrificação ainda enfrenta obstáculos, especialmente em operações agrícolas de grande escala, como as que caracterizam o agronegócio no país.
Motores elétricos permitem controle mais preciso e facilmente ajustável de velocidade, torque e potência, algo especialmente valioso para diferentes operações no campo. Além disso, as arquiteturas de tração distribuída eliminam os diferenciais mecânicos, permitindo o controle independente do torque em cada roda.
O problema é a demanda energética. Em testes com um trator elétrico equipado com motor de 19 quilowatts (kW) e bateria de 21,6 quilowatts-hora (kWh), a autonomia em atividades de preparo do solo foi de três horas de trabalho contínuo por carga. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostra que para sustentar um turno completo de trabalho seria necessária uma bateria cerca de três vezes maior.
Por isso, projetos de pesquisa e desenvolvimento têm se concentrado em sistemas híbridos. A redução média é de até 31% no consumo de combustível em comparação com tratores convencionais. A vantagem está na possibilidade de operar o motor a combustão em faixas de maior eficiência operacional, enquanto os motores elétricos fornecem torque adicional.
Enquanto a dependência dos combustíveis fósseis continua – não só para tratores, mas também para os caminhões que transportam as safras -, a apreensão aumenta, segundo o Canal Rural. Além do preço, há relatos de dificuldades de abastecimento. E com o Brasil no pico do escoamento da soja, a alta do diesel encarece o transporte até os terminais de exportação e aumenta a pressão inflacionária sobre o restante da economia, detalha a Bloomberg Línea.
Como medida paliativa, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve discutir na 5ª feira (19/3) o avanço da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, lembra o Estadão. O que não resolve o problema na sua estrutura: a insegurança energética causada pelos combustíveis fósseis, ao contrário do que pregam os defensores da exploração de petróleo “até a última gota”.



