
As consequências da guerra entre Israel e EUA contra o Irã estão criando uma mudança notável no cenário energético, expondo vulnerabilidades nos mercados globais de energia com sua dependência dos combustíveis fósseis – que ainda fornecem 80% das necessidades energéticas mundiais. Para alguns analistas, esse é um argumento poderoso para que países reduzam a dependência de petróleo, gás e carvão.
Cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte do gás viajam pelo Estreito de Ormuz, na costa sul do Irã. Com os ataques mais recentes dos EUA à infraestrutura da Ilha de Kharg no sábado, o cenário tende a piorar. A guerra já impede que os estados do Golfo exportem um quinto do suprimento mundial de petróleo, lembra o Guardian.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a guerra provocou a “maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo”. No pior cenário, analistas preveem que o petróleo pode ultrapassar o recorde de 2008 de US$ 147,50 (R$ 786,26) o barril, informa a NBC News.
No curto prazo, países estão correndo para garantir suprimentos de energia de onde conseguirem; isso inclui recorrer a fontes domésticas de carvão, no caso do Sudeste Asiático, avaliam NY Times e Folha. Apesar de ser o mais poluente dos combustíveis, o carvão ainda está amplamente disponível em muitas partes do mundo.
Uma opção muito menos poluente são as fontes renováveis, como a eólica e a solar. Segundo uma análise da consultoria BloombergNEF, a guerra pode impulsionar a energia solar e as baterias, ambas com custos em rápido declínio.
“Essa mais nova turbulência mostra mais uma vez que a dependência de combustíveis fósseis deixa economias, empresas, mercados e pessoas à mercê de cada novo conflito”, disse Simon Stiell, chefe de clima das Nações Unidas. De acordo com Stiell, investir em energia renovável é “o caminho óbvio para a segurança energética”.
Para Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima (OC), a guerra reforça a percepção de que em um mundo baseado em energias renováveis, as economias globais não estariam em tamanho risco.
“Do ponto de vista econômico, se os países não se convencerem pelo argumento climático de que deveriam transicionar para energia renovável, talvez se convençam pelo impacto econômico. O preço do petróleo fará a inflação disparar e empurrar pessoas para a pobreza, sobretudo em países que já têm dificuldades. Mas isso afeta o crescimento econômico do mundo inteiro”, afirma.
Em tempo: Enquanto segue com a retórica de que seu país ganha "muito dinheiro" quando os preços do petróleo sobem, Trump mostra para quem governa: a pequena elite de petroleiros e empresários do fim do mundo. Segundo o Financial Times, grupos petrolíferos dos EUA podem lucrar até US$ 63 bilhões com as interrupções causadas pela guerra com o Irã; no entanto, a população estadunidense está sentindo o peso no bolso dos impulsos estúpidos do incumbente, com o aumento do preço da gasolina e do diesel. Mais uma vez, vale a lição (que já repetimos muito por aqui) de que a exploração de combustíveis fósseis não traz desenvolvimento nem distribui riqueza, muito pelo contrário, aumenta as desigualdades enquanto destrói o meio ambiente e alimenta a crise climática.



