Lição do derramamento de petróleo que atinge o Nordeste

14 de outubro de 2019

A lição do derramamento de petróleo no mar do Nordeste aí está, a mostrar a brutal dificuldade em lidar com estas questões. Desde 30 de agosto as manchas de borra de petróleo começaram a invadir as praias nordestinas. Passados mais de um mês, e com mais de 100 toneladas de borra nas praias, supõe-se que o petróleo tenha sido produzido na Venezuela. Mas, de onde veio, não se sabe. E não há nada que se possa fazer a não ser recolher a borra que chegou ao litoral provocando prejuízos econômicos e ambientais.

O petróleo que contamina as praias do Nordestes é uma tragédia, mas também um aviso do que pode acontecer em decorrência de operações de exploração e transporte do combustível fóssil no mar. Não basta o aquecimento global, a tragédia veio para nos lembrar que o petróleo é também um combustível muito sujo e muito difícil de limpar quando se espalha no mar.

Talvez o único bom efeito colateral foi a ausência de ofertas pelos blocos de exploração próximos a Abrolhos no leilão da última semana. O parecer de técnicos do Ibama foi ignorado pelo presidente do órgão que, concordando com seu chefe, o ministro Ricardo Salles, emitiu uma nota autorizando a ANP a incluí-los no leilão. Lembrando que a região, já atingida pela lama da Samarco, é o único banco de corais do Atlântico Sul.

Na 6ª feira, um satélite da União Europeia detectou uma mancha de óleo de mais de 20 km2 e outra, menor, de pouco mais de 3 km2, a 100 km da costa da Bahia. Segundo a Folha, elas foram identificadas pelo professor do curso de Oceanografia da UFBA, Pablo Santos, especialista em sensoriamento remoto. Segundo Santos, a tendência é que as manchas se desagreguem com a ação de ondas e dos ventos e cheguem à costa em fragmentos menores.

O Ministério Público Federal de Sergipe entrou com um pedido para que o governo federal, no prazo de 24 horas, implemente os Planos Estratégicos de Proteção de Áreas Vulneráveis (PPAVs) existentes e devidamente aprovados pelo Ibama. “Na ação, o procurador argumenta que a União está sendo omissa ao não adotar medidas de proteção a áreas ambientais sensíveis, em especial a foz de rios, pontos de captação de água, mangues e Unidades de Conservação, pois tem como responsabilidade constitucional a defesa do meio ambiente e sua preservação para as presentes e futuras gerações.”

O ex-ministro do meio ambiente, Carlos Minc, também acusou o governo de agir com total descaso ao não colocar em prática o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional, previsto em um decreto de 2013. Para o Brasil de Fato, Minc disse que “ao invés de colocar esse plano em prática, eles começaram, cinco semanas depois, a colocar todas as fichas em cima de um inimigo externo. Isso parece ser uma obsessão desse governo. Então, ele esvazia e desacredita os órgão [de fiscalização]. Eles tinham que ter chamado os cientistas e os oceanógrafos para um comitê de crise. O Salles não sabe de nada. No decreto de 2013, eu contei onze pontos que não foram cumpridos.”

“Estamos sendo tratados feito tolos”, disparou Yara Schaeffer Novelli, da USP, para o Marco Zero. “Nós começamos com o pé errado. Mas, com todo esse tempo – as primeiras manchas de óleo apareceram em 30 de agosto -, para mim foi intencional não se envolver pessoas e grupos que poderiam definitivamente ter colaborado. Teríamos tudo para ter agido de forma organizada, legal e dentro das normas desde o primeiro momento em que se avistou óleo chegando às praias. Não precisa de muito, está tudo aí no Google.”

Segundo o Estadão, para evitar que o petróleo contamine o delta do Rio São Francisco, decidiu-se aumentar a vazão da Usina de Xingó, fazendo com que as águas do rio cheguem com mais força na região do delta.

A Folha fez um resumo dos fatos relacionados à poluição por petróleo nas praias nordestinas.

 

ClimaInfo, 14 de outubro de 2019.

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