
Cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare. Essa é a capacidade de armazenamento dos solos turfosos de áreas úmidas do Cerrado, indica um estudo liderado por cientistas brasileiros e publicado na revista científica New Phytologist. O valor equivale a seis vezes o estoque de biomassa de florestas típicas na Amazônia.
Os solos turfosos e encharcados são ricos em carbono proveniente de plantas parcialmente decompostas e outras matérias orgânicas. Segundo os pesquisadores, condições úmidas criam falta de oxigênio, o que retarda a decomposição, destacam Folha e Revista Galileu.
É a primeira avaliação detalhada dos estoques de carbono em solos do Cerrado utilizando amostras coletadas até quatro metros de profundidade. Análises anteriores se limitaram a até um metro, subestimando o carbono total em até 95%, contam Jornal de Brasília e Gigante 163.
Como essas áreas úmidas que dependem de lençol freático ainda são pouco estudadas, os cientistas fizeram um primeiro mapeamento usando dados de sensoriamento remoto combinados com aprendizado de máquina (machine learning). Com isso, verificaram que essas áreas podem cobrir 167 mil km² no Cerrado – uma região, pelo menos, seis vezes maior do que se pensava antes, equivalendo a cerca de 8% do bioma e 2% do território brasileiro.
A descoberta evidencia a importância de preservar o bioma para a resiliência climática. O Neomondo lembra que, apesar da tendência de queda, os índices de desmatamento do Cerrado permanecem altos. De agosto de 2025 a janeiro deste ano, foram 1.905 km² de áreas sob alerta de desmatamento, segundo dados do DETER, do INPE. Já um levantamento do MapBiomas mostra que 47% do Cerrado é ocupado por áreas de uso antrópico (dados de 2024), sendo 24% para pastagem e 13% para agricultura, com a grande maioria da área de plantio destinada à soja.
Alterações nos padrões de chuva e o desmatamento no bioma podem comprometer a disponibilidade hídrica que mantém esse sumidouro de carbono. Apesar de sua ampla distribuição, o acúmulo de turfa e a extensão das veredas permanecem incertos, alertam os pesquisadores.
“Caso a dinâmica hídrica das áreas úmidas seja alterada, esse solo pode se decompor, liberando esse carbono para a atmosfera e contribuindo para a intensificação dos extremos climáticos”, disse ao Correio Braziliense Larissa Verona, cientista do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas, nos Estados Unidos e líder do estudo.



