Em risco de ficarem sem petróleo, países da Ásia adotam medidas de urgência

Grandes importadores de petróleo como Bangladesh e Tailândia buscam alternativas como diversificar fornecedores e racionar combustíveis.
17 de março de 2026
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Bahnfrend/Wikimedia Commons

A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã abala os mercados globais de energia, tanto por provocar a escalada dos preços do petróleo como por ameaçar a oferta da commodity, jogando por terra a narrativa da “segurança energética” associada aos combustíveis fósseis. Países, principalmente da Ásia, esforçam-se para garantir o fornecimento de combustível, preservar suprimentos e repensar as exportações. Mas sem sinal de solução para o conflito, o impacto global é questão de tempo.

Além de petróleo, o Estreito de Ormuz, bloqueado pelos iranianos, é uma rota essencial para navios que transportam gás liquefeito de petróleo (GLP), usado em cozinhas e em alguns processos industriais nos mercados asiáticos. De fornos metalúrgicos no oeste da Índia a plantações de arroz no Sudeste Asiático, bilhões de pessoas estão lidando com a falta de gás, elaborando “cardápios de crise” e se preparando para o racionamento de combustível nos postos, informa O Globo.

Com o tráfego de navios-tanque drasticamente reduzido em Ormuz e os preços do petróleo ultrapassando US$ 100 o barril, nações importadoras de petróleo, como Bangladesh e Tailândia, estão buscando alternativas para evitar uma crise interna. Isso inclui a diversificação dos fornecedores de petróleo bruto e o racionamento de combustíveis, detalha a Al Jazeera.

Segundo o TBS, Bangladesh solicitou assistência diplomática do Irã para garantir a passagem segura de petroleiros com destino ao país. O governo do país havia imposto restrições à compra de combustível para certos tipos de veículos depois que as rotas globais de energia foram interrompidas pela guerra no Oriente Médio, mas amenizou as restrições – até quando não se sabe.

O aumento do preço do petróleo elevará os gastos com importações e pressionará a balança de pagamentos do país, afirmam analistas e funcionários da Corporação de Petróleo de Bangladesh (BPC). Contudo, por ora, o governo deve evitar reajustar os preços dos combustíveis no mercado interno, já que a BPC teria capacidade financeira para absorver custos mais elevados no curto prazo, explica o The Daily Star.

No Sri Lanka, foi adotado um sistema digital baseado em código QR para racionar a venda de combustível, uma medida que as autoridades descreveram como “precaução” em meio à persistente incerteza no Oriente Médio, informa o The Hindu. O governo solicitou fornecimento adicional de combustível à Índia e também está em negociações para comprar petróleo da Rússia.

A China havia construído uma enorme capacidade de reserva de petróleo antes do conflito. Ainda assim, as estatais chinesas Sinopec e CNPC retomaram as importações de petróleo bruto russo após uma pausa de quatro meses, adquirindo 10 carregamentos para maio.

Já as adaptações na Índia incluem a suspensão da oferta de créditos de combustível pelas principais refinarias devido ao impacto da alta dos preços. O país recebeu 2 dos 5 navios-tanque que conseguiram furar o bloqueio em Ormuz, o que sugere negociações com o regime iraniano para o trânsito, avalia o Discovery Alert.

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