Ondas de calor extremo colocam junho como o mais quente da história na Europa Ocidental

Pesquisa aponta que pelo menos 2,3 mil pessoas perderam suas vidas no período por conta das ondas de calor provocadas pelas mudanças climáticas. 
13 de julho de 2025
(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O serviço climático Copernicus da União Europeia (UE) confirmou junho de 2025 como o mês mais quente já registrado na Europa Ocidental, com temperaturas extremas em ondas de calor consecutivas. Em termos globais, este foi o terceiro junho mais quente da história, atrás apenas de 2024 e 2023, seguindo uma tendência de aquecimento acelerado causado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.

Segundo o Copernicus, a Europa está se aquecendo duas a três vezes mais rápidamente em comparação à média global. Em junho, milhões enfrentaram estresse térmico elevado, com temperaturas médias na Europa Ocidental atingindo níveis inéditos para o início do verão. Portugal e Espanha registraram picos de 46°C, enquanto o norte de Lisboa apresentou sensação térmica de 48°C, índice 7°C acima da média, classificada como “estresse extremo” pela agência europeia.

O aquecimento foi intensificado por temperaturas recordes de calor marítimo no Mediterrâneo Ocidental, atingindo média de 27°C no último dia 30, cerca de 5°C acima do normal. As águas superaquecidas reduziram o resfriamento noturno nas regiões costeiras, aumentaram a umidade e ameaçaram ecossistemas marinhos.

Um estudo publicado na última semana estima a morte de aproximadamente 2.300 pessoas por causas relacionadas ao calor durante a intensa onda na Europa Ocidental no final de junho. A pesquisa, conduzida pelo Imperial College London e pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, analisou dados de 12 cidades – incluindo Barcelona, Madri e Londres – no período de 10 dias nos quais as temperaturas ultrapassaram 40°C em algumas regiões.

Desse total, 1.500 mortes foram diretamente atribuídas às mudanças climáticas responsáveis pela intensificação do fenômeno. Os pesquisadores utilizaram modelos epidemiológicos para chegar a essas estimativas, já que muitos países não registram oficialmente óbitos por calor extremo. O estudo alerta para o crescente impacto das ondas de calor na saúde pública, especialmente em áreas urbanas vulneráveis. Reuters, Guardian e Agência Brasil abordaram o estudo.

“O que estamos vendo é um quadro muito preocupante. Esses eventos extremos não ficam restritos à Europa ou à Ásia. Esse mesmo calor vai chegar ao Brasil, e isso significa risco para Amazônia, Cerrado e Pantanal”, alertou Marcio Astrini, do Observatório do Clima, em sua coluna semanal na Rádio Eldorado.

Le Monde, Bloomberg, AFP, Estadão, g1, UOL, CNN Brasil, entre outros, noticiaram os números preocupantes sobre a temperatura do último mês de junho. Já a Folha fez um detalhamento sobre a relação entre as mudanças climáticas e os eventos extremos na Europa.

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