
A produção de veículos elétricos no Brasil pode dobrar o número de novos empregos no país até 2050. Quase 80% desses postos de trabalho virão do setor de serviços – técnicos, engenharia, logística e comércio –, seguido dos setores manufatureiros diretamente ligados à produção dos veículos, máquinas e equipamentos elétricos.
É o que mostra o estudo “A transição da indústria brasileira para veículos elétricos e seus efeitos em emprego e renda”, promovido pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, sigla em Inglês) com pesquisadores das Universidades de Campinas (UNICAMP) e de São Paulo (USP) e apoio do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA). A pesquisa destaca que, ao apostar na fabricação local de baterias e no desenvolvimento dos serviços associados à eletromobilidade, o Brasil pode garantir uma transição energética justa e acelerar o desenvolvimento de uma nova cadeia industrial.
O estudo comparou dois cenários de longo prazo – de “base”, no qual predominam veículos a combustão com biocombustíveis; e de “eletrificação”, no qual os VEs ganham protagonismo e parte expressiva da produção de baterias ocorre no Brasil. Neste último, projeta-se que o conteúdo nacional das baterias suba de 21% para 50% até 2050, estimulando setores industriais como química, mineração, eletrônica, metalurgia e manufatura de equipamentos elétricos.
Vale destacar que o Brasil ainda não produz baterias em escala industrial. Assim, a estimativa de 21% utilizada pelo ICCT não reflete a situação atual do mercado, mas sim uma simulação baseada em cadeias produtivas já existentes no país, como a de insumos minerais (lítio, níquel, grafite), refino químico e manufatura de partes metálicas e embalagens.
Com essa nacionalização parcial, o cenário “Eletrificação” já projeta 116% mais empregos do que o cenário “Base”. Caso o país atinja 100% de conteúdo local nas baterias, o impacto positivo pode ser ainda maior, ampliando a geração de empregos industriais.
A pesquisa ainda ressalta que a mobilidade elétrica não só amplia o número de postos de trabalho como melhora a qualidade da renda. Os salários na cadeia dos carros elétricos são, em média, 85% mais altos e mais bem distribuídos do que os praticados na indústria tradicional de veículos a combustão.
Canal VE, Inside EVs e Fast Company Brasil repercutiram o estudo.
Em tempo: O NY Times abordou a ação de gigantes automobilísticos da China no Brasil. Enquanto montadoras como Ford e Mercedes recuam, a GWM e a BYD constroem fábricas no país e levam veículos elétricos e híbridos acessíveis para um dos maiores mercados do mundo. Enquanto Donald Trump tenta conter o avanço dos VEs nos Estados Unidos, os chineses veem esses carros como uma rara oportunidade de entrar em um mercado há muito dominado por empresas alemãs, japonesas, coreanas e estadunidenses.



