Povos Tradicionais da Amazônia articulam exigências para a COP30

Lideranças indígenas, movimentos sociais e Comunidades Tradicionais consolidam demandas e soluções dos Povos da Floresta para a Conferência.
23 de julho de 2025
povos tradicionais da amazônia articulam exigências para a cop30
Reprodução/G1

Um ato realizado nesta 4a feira (23/7) em Belém (PA) reuniu representantes de movimentos sociais, Comunidades Tradicionais e Povos Indígenas da Amazônia. A manifestação marcou o lançamento de uma declaração que consolida as demandas desses grupos para a COP30.

A Declaração do Mutirão dos Povos da Amazônia para COP30 é resultado do encontro realizado na Embaixada dos Povos e organizado pela Rede Grupo de Trabalhos Amazônicos (GTA) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), com apoio de 350.org, Pororoka, ClimaInfo e GGON, detalhou a Revista Cenarium.

Em torno de um globo sujo de petróleo e derretendo pelas mudanças climáticas, simbolizando a urgência ambiental, manifestantes empunharam mensagens como “O clima não espera, é hora de agir”, “A resposta somos nós”, “Delimite” e “Floresta em pé, petróleo e gás no chão”. Foi um recado direto para as lideranças globais: as soluções para a crise climática já existem e são colocadas em prática diariamente pelos Povos Originários e Tradicionais.

Como o UOL destacou, a reivindicação de protagonismo para os Povos Amazônicos foi reforçada na declaração. “Não aceitamos que a COP30 se transforme em um espetáculo de financeirização da vida, um mercado para interesses transnacionais e falsas soluções. Será a COP dos Povos, da Resistência e da Vida. Chegou o momento de ocuparmos os espaços de decisão, impor nossa agenda e revelar a força coletiva que há séculos protege esta Terra.”

Na declaração os Povos da Amazônia levantam “uma voz firme e ancestral para afirmar nossa identidade coletiva de luta: a resposta somos nós”. E lembram: “Sentimos primeiro a seca, a inundação, o ar envenenado, a água morta. Resistimos com nossos corpos e territórios à destruição imposta. E, ainda assim, somos silenciados, perseguidos, invisibilizados, relegados às sombras do poder. A Amazônia pulsa como o coração da Terra. Nossas florestas, rios, solos e ciclos formam o tecido de vida que sustenta o último fôlego do equilíbrio climático. Mas não há Amazônia sem seus Povos”.

A carta reivindica reforma agrária, demarcação, titulação, regularização fundiária, desintrusão imediata dos territórios destas populações. Também reivindica financiamento climático direto e o “fim imediato da exploração predatória”.

“Não aceitaremos mineração, garimpo, agronegócio, grilagem, monocultura verde ou qualquer forma de devastação que se disfarce de ‘transição energética’. Exigimos o desmonte urgente da indústria dos combustíveis fósseis e uma transição justa, popular e soberana, que respeite nossos territórios, valorize nossos saberes e coloque a vida acima do lucro. A Amazônia rejeita ser uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás.”

O coordenador-geral da COIAB, Toya Manchineri, ressaltou a união no manifesto. “Um dos temas que unifica Povos Indígenas, extrativistas e Quilombolas é a defesa dos Direitos e a demarcação dos territórios. A gente reitera o que tratamos na NDC [indígena, lançada em junho], para pressionar o Estado brasileiro a considerar a demarcação e a titulação dos territórios como uma política de clima, já que os territórios contribuem muito para a captura de CO2 e para barrar o desmatamento”, frisou.

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