Estudo propõe estratégia para eletrificar frota brasileira de ônibus até 2030

País tem potencial para substituir mais de 14 mil ônibus a diesel por elétricos em cinco anos, estima pesquisa.
7 de agosto de 2025
frota ônibus elétricos
Divulgação Prefeitura de São Paulo

O Brasil está acelerando a troca de ônibus a diesel por elétricos. Segundo Clarisse Cunha Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), o país superou 1.000 veículos do tipo. É menos do que no Chile (2,6 mil) e na Colômbia (1,7 mil) e ainda pouco na frota total, mas cada vez mais cidades investem na substituição.

A frota brasileira pode aumentar quase 15 vezes em cinco anos. É o que um estudo do Instituto feito em parceria com a empresa Scipopulis e apoiado pelo Ministério das Cidades. Segundo a pesquisa, o Brasil pode trocar mais de 14 mil ônibus a diesel por elétricos até 2030, sem grandes alterações operacionais nos sistemas de transporte público, informa o Mobilize Brasil.

A substituição pode acontecer a partir de uma estratégia focada em investimentos públicos que priorize a renovação dos ônibus mais velhos e poluentes, propõe o estudo “Acelerando a Transição: Estratégia para Eletrificar a Frota Brasileira de Ônibus até 2030”. O estudo analisou 18 sistemas de transporte público nas maiores regiões metropolitanas do país.

Foram identificados 46.236 ônibus existentes nos 18 sistemas, dos quais 37.395 em operação. A partir da análise dos padrões de viagens, 14.146 dos ônibus a diesel, em operação, já podem ser substituídos por elétricos, pois possuem o consumo energético compatível com a autonomia dos ônibus elétricos disponíveis no mercado nacional. 

A troca não exigiria aumento de frota, reestruturação de linhas ou mudanças profundas na operação, por isso tonaria factível a substituição dos veículos com mais de cinco anos com tecnologias obsoletas, como a Euro III e a Euro V.

Em termos absolutos, os sistemas de transporte público coletivo de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte são os de maior potencial de eletrificação, destaca o estudo. A capital paulista está mais avançada no processo, informa O Globo. O município opera 841 ônibus elétricos, ou 6,3% da frota total, e tem como meta chegar a 20% dos 13,3 mil coletivos em 2028.

No Rio de Janeiro, a pesquisa identificou muitos veículos a diesel que poderiam ser substituídos por modelos elétricos com base em sua idade (superior a 5 anos) e consumo energético diário compatível com a capacidade média de bateria, segundo o g1. Segundo Linke, “55% da frota [do RJ] analisada ainda opera com tecnologias defasadas. São veículos altamente poluentes, que impactam diretamente a qualidade do ar e a saúde da população”.

Em julho, foram comercializados 160 ônibus elétricos no Brasil, um recorde levantado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). No 1º semestre foram emplacados 306 veículos do tipo, aumento de 141% frente a igual período de 2024 (127 unidades). São Paulo foi responsável por 275 dos ônibus elétricos vendidos nesse período, representando 90% do total nacional.

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