
As tempestades que atingiram nos últimos dias o norte do Paquistão causaram inundações e deslizamentos de terra que varreram vilas inteiras, deixando muitos moradores presos nos escombros e dezenas de desaparecidos. Já são quase 400 mortos confirmados em decorrência de cinco dias de temporais, com autoridades alertando que as chuvas de monções continuarão até o fim de semana, informa o Khaleej Times.
O governo paquistanês ordenou na 4ª feira (20/8) o fechamento de empresas, escolas e repartições públicas em Karachi, capital financeira com mais de 20 milhões de habitantes, relata a Reuters. As chuvas começaram na 3ª feira (19), causando inundações generalizadas, e atingiram níveis não vistos há anos em algumas partes. Os temporais deixaram pelo menos 10 mortos na cidade portuária densamente povoada.
A chuva interrompeu o fornecimento de energia, os serviços de telefonia móvel e os voos em Karachi. Imagens mostraram carros e outros veículos flutuando pelas ruas e casas submersas. “Nunca vivi uma chuva como esta na minha vida”, disse Anosha, 30 anos. “Nosso carro atolou na estrada alagada, a água entrou e eu entrei em pânico.”
Já no norte e no noroeste paquistanês, áreas mais atingidas pelos temporais, o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido em 70% da região, e estradas foram reabertas, segundo a Al Jazeera. A Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA) disse que 356 pessoas morreram em Khyber Pakhtunkhwa, província montanhosa na fronteira com o Afeganistão, com dezenas de mortes também registradas em regiões vizinhas.
Chuvas torrenciais são comuns no sul da Ásia, quando ventos quentes de monção, carregados de umidade, encontram o ar frio das montanhas no norte da Índia e do Paquistão, causando condensação. No entanto, com as mudanças climáticas, os ventos vindos do Golfo de Bengala estão mais quentes, carregando mais umidade e, portanto, aumentando a intensidade e a duração dos temporais, explica a Reuters.
Desde o início da temporada de monções deste ano, no final de junho, pelo menos 660 pessoas morreram no Paquistão em decorrência das tempestades, segundo o New York Times. Outras 935 ficaram feridas.
Reuters e Washington Post também repercutiram a tragédia das chuvas no Paquistão.
Em tempo: Nos Estados Unidos, a chegada do furacão Erin está sendo sentida em toda a costa leste, onde marés mais altas e ondas fortes desencadearam alertas mais amplos para inundações e condições de tempestades tropicais, informa o Guardian. Os moradores do litoral se preparam para uma possível maré de tempestade – "parede" de água empurrada para a costa pelos fortes ventos que causam inundações catastróficas acompanhadas de severa erosão nas praias. Espera-se que o furacão gere ondas "com risco de morte" de 4,5 a 6 metros, com as praias da Carolina do Norte prevendo as ondas mais violentas. “As ondas geradas por Erin afetarão as Bahamas, as Bermudas, a costa leste dos EUA e o Canadá Atlântico durante os próximos dias”, afirmou o Centro Nacional de Furacões. “Espera-se que essas condições oceânicas agitadas causem ondas e correntes de retorno potencialmente fatais”, reforçou a entidade. Reuters, CNN, CBS, Fox Weather e Washington Post também noticiaram o fortalecimento do furacão Erin.



