
Vence em setembro o novo prazo dado pela ONU para a entrega pelos países de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) atualizadas. Segundo disse na Rio Climate Action Week (RCAW) o diretor global da NDC Partnership, Pablo Vieira, mais de 180 nações devem entregar suas novas metas climáticas antes da COP30. Torçamos, mas o ritmo ainda é lento.
Como a Agência Brasil informou, cerca de 80% dos países estão atrasados na atualização de seus compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa. Apenas 29 NDCs foram entregues à ONU. “Os países estão demorando, mas acho que muito disso acontece por estarem buscando algo com maior qualidade. Eles entendem que precisam fazer um trabalho melhor para que as metas sejam realistas, implementáveis e passíveis de investimento”, disse Vieira.
A lentidão cria mais um desafio para a Conferência de Belém vir a ser a “COP da Virada”, como almeja o presidente Lula. Para o físico Paulo Artaxo, integrante da Academia Brasileira de Ciência (ABC) e do IPCC, o desejo é factível, mas esse ponto de virada tem nome e sobrenome: transição energética justa e rápida. “Esse é o nó da questão”, advertiu Artaxo no Projeto Colabora.
Além das metas climáticas e da transição energética, a COP30 não terá como fugir da herança de Baku relativa ao financiamento climático. Especialistas ressaltaram na RCAW que o foco da cúpula precisa estar na implementação, no financiamento e na escalabilidade de soluções sustentáveis, sem abdicar do desenvolvimento. O Valor repercutiu essa avaliação.
A CBN destacou a análise de Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Para ela, o clima deve ser visto também como investimento em desenvolvimento e os governos devem estimular o setor privado a investir – como, por exemplo, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) a ser lançado pelo governo brasileiro na COP30.
Se o Brasil fosse pago por restaurar a Floresta Amazônica, a prestação de serviços ambientais poderia render US$900 bilhões para a região. A avaliação é de Juliano Assunção, professor do departamento de Economia da PUC-RJ e diretor-executivo do Climate Policy Initiative (CPI) em entrevista ao Valor.
Outro documento do setor privado pretende apresentar recomendações e exemplos práticos em prol da agenda climática para análise na COP30. Ele está sendo elaborado no âmbito da Sustainable Business COP30 (SB COP), aliança global criada na COP29 por empresas, instituições e parceiros estratégicos de todo o mundo. O Valor deu mais detalhes.
Para Marília Closs e Nycolas Candido, da Plataforma Cipó, o sucesso da COP30 dependerá desta acelerar a implementação da Declaração de Belém assinada em 2023 pelos países pan-amazônicos na reunião da Organização do Tratado de Cooperação para a Amazônica (OTCA).
Um estudo da Cipó mostra o registro de 1.700 ações para dar vida aos 113 parágrafos do acordo. Iniciativas como o manejo integrado do fogo e operações conjuntas contra crimes ambientais já dão resultados concretos, mas há muito ainda a fazer.
“A COP30 será vitrine – e prova de fogo – do poder da região de transformar compromissos em ação. Para isso, a visibilidade internacional precisa ser acompanhada de demonstrações inequívocas de que a cooperação amazônica é não apenas possível, mas eficaz”, reforçam no Nexo.
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Em tempo 1: Segundo o Panorama do Clima de agosto, relatório do Instituto Clima e Sociedade (iCS) divulgado na 2ª feira (25/8), o Brasil teve avanços importantes em sua agenda climática nos últimos meses. Ainda assim, persistem desafios com a reforma do setor elétrico e o uso da terra. O documento afirma que as ações do governo federal, que envolvem sete planos setoriais de mitigação, desde a agropecuária até transporte e resíduos sólidos, são uma forma de corrida para consolidar todo o Plano Clima a tempo da COP30. A notícia é do Valor.
Em tempo 2: Representantes dos países da América Latina e Caribe se reuniram nesta 4ª feira (26/8) na Cidade do México para o primeiro encontro ministerial para implementação de ações climáticas regionais. A declaração assinada pelos ministros reforça a busca por um posicionamento comum das nações latino-americanas e caribenhas na COP30, além de alinhar demandas de financiamento e transferência de tecnologia por parte dos países industrializados. O texto também defende o multilateralismo como caminho para a ação climática global e respalda a liderança brasileira como anfitriã da COP, o que foi celebrado pelo presidente-designado da Conferência, embaixador André Corrêa do Lago. "Nossos países têm soluções, têm exemplos, evidentemente têm grandes desafios, mas é isso que precisamos trazer para a COP30, e queremos que seja uma COP de soluções", afirmou. A EFE deu mais informações.
Em tempo 3: Mais de 20 representantes de organizações da campanha “Pare o Tsunami de Plástico” estarão em Brasília até 5ª feira (28) para cobrar do Congresso Nacional e do governo federal medidas efetivas de combate à poluição por plástico no Brasil. A mobilização ocorre dez dias após o fracasso da rodada de negociações da ONU para elaborar um Tratado Global Contra a Poluição por Plástico, em Genebra, que terminou sem um acordo entre os 184 países presentes.



