
Não basta tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, cortar benefícios para fontes renováveis, atacar a legislação ambiental e omitir dados relacionados a clima e meio ambiente. Donald Trump tenta usar o poder da (ainda) maior economia do mundo para puxar seus parcerias comerciais para o ralo do negacionismo climático.
Trump está aplicando tarifas, impostos e outros mecanismos para induzir outros países a queimarem mais combustíveis fósseis, destaca o NY Times, em matéria traduzida por Folha e Estadão. Sua animosidade está focada principalmente na indústria eólica, uma fonte de eletricidade bem estabelecida e em crescimento em vários países europeus, assim como na China e no Brasil.
“Estou tentando fazer com que as pessoas aprendam sobre energia eólica rapidamente, e acho que fiz um bom trabalho, mas não bom o suficiente porque alguns países ainda estão tentando”, disse Trump. O negacionista-mor dos EUA também afirmou que os países estavam “se destruindo” com energia eólica e completou: “Espero que eles voltem aos combustíveis fósseis”.
As operações com combustíveis fósseis foram o principal impulsionador do aumento das emissões de gases de efeito estufa no 1º semestre, segundo a Bloomberg. Foram emitidas 30,99 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, segundo a Climate Trace, organização apoiada pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. Foi 0,13% mais que no 1º semestre de 2024.
Segundo a Climate Trace, os EUA foram responsáveis por mais da metade desse aumento. As emissões no país subiram 1,4% nos primeiros seis meses de 2025 em relação a igual período do ano passado. Já o consumo de carvão nos EUA aumentou cerca de 18% no 1º trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do próprio governo americano. A demanda por gás fóssil também foi maior nos primeiros cinco meses, mostram dados da EIA.
Pouco importa para Trump, que prefere matar o mensageiro. Por isso, vários funcionários da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, sigla em Inglês) que assinaram uma carta aberta criticando os cortes orçamentários do governo para preparação para desastres foram afastados, informam Washington Post, NBC, CBS, Axios e Jornal Nacional (TV Globo). O documento alertava que a Casa Branca tem revertido grande parte do processo de gerenciamento de desastres conquistados desde o furacão Katrina, que completou 20 anos e foi uma das maiores tragédias climáticas dos EUA.



