
A indústria de petróleo e gás defende com unhas e dentes a captura e o armazenamento de carbono (CCS, da sigla em Inglês) como a tecnologia que permitirá explorar mais e mais combustíveis fósseis, apesar das incertezas sobre sua eficácia e seu custo elevado. A Petrobras, por exemplo, investe em uma campanha publicitária em horário nobre na TV associando a estocagem de carbono à “transição energética justa” que a empresa diz liderar.
Mas um estudo publicado na revista Nature joga por terra o discurso das petrolíferas. De acordo com os pesquisadores do Imperial College London e de instituições científicas de Alemanha, França, Portugal e Áustria, a capacidade global de armazenamento de carbono é 10 vezes menor do que se estimava antes.
Para chegar a esse número, a pesquisa excluiu formações geológicas nas quais o dióxido de carbono poderia vazar, provocar terremotos, contaminar águas subterrâneas ou ter outras limitações. Assim, a captura e o armazenamento de carbono teriam potencial de reduzir o aumento da temperatura média global em apenas 0,7oC, muito menos do que os 5oC a 6oC estimados anteriormente, explica o estudo.
O risco imposto por vazamentos, falhas de engenharia ou disputas territoriais limita a menos de 1.500 gigatoneladas a estocagem segura de carbono, muito aquém das 40 mil gigatoneladas estimadas anteriormente. Diante disso, o nível de armazenamento necessário para conter a crise climática ultrapassaria o limite seguro estabelecido pelos cientistas.
Portanto, a captura de carbono deve ser vista como um “recurso escasso” e não como “uma solução ilimitada para restaurar o clima a um nível seguro”, disse Joeri Rogelj, um dos autores do estudo e diretor de pesquisa do Instituto Grantham do Imperial College.
Para o cientista, os formuladores de políticas devem usar a estocagem de carbono para limitar os efeitos das mudanças climáticas, e não para compensar emissões contínuas e evitáveis de CO₂ provenientes da geração de eletricidade por combustíveis fósseis ou motores a combustão. Em resumo: tecnologias de captura e armazenamento de carbono não são uma licença para se continuar explorando petróleo, gás fóssil e carvão. Nem parte de qualquer “transição energética justa”.
Financial Times, Forbes, AP, The Energy Mix, Folha e Earth, entre outros, repercutiram o estudo.



