Gelo marinho da Antártica atinge 3º menor nível em 50 anos

Dado deste ano ficou atrás apenas dos números registrados em 2023 e 2024, que por sua vez foram os menores em 47 anos de medições.
5 de outubro de 2025
Groenlândia degelo
Pixabay

Todos os anos, durante o inverno no Hemisfério Sul, de junho a setembro, o oceano em torno da Antártica congela por centenas de quilômetros para além do continente. A massa atinge seu pico entre setembro e outubro, antes que se inicie o ciclo de degelo. Mas seu volume está diminuindo.

O inverno de 2025 registrou sua 3ª menor extensão máxima de inverno desde que os registros de satélite começaram, há 47 anos. O gelo atingiu seu pico máximo em 17 de setembro, com 17,81 milhões de km², mostram dados preliminares do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo (NSIDC, sigla em Inglês), uma instituição vinculada à Universidade do Colorado.

O volume ficou 900 mil km² abaixo da extensão máxima média de 1981-2010 – a linha de base histórica com a qual a extensão mais recente do gelo marinho é comparada, explica o Carbon Brief. O NSIDC informou que a extensão do gelo marinho estava “marcadamente abaixo da média” no Oceano Índico e no Mar de Bellingshausen, mas “ligeiramente acima da média” no Mar de Ross.

O dado de 2025 é o terceiro mais baixo desde o início das medições, ficando atrás apenas dos números de 2023 e 2024, que por sua vez foram os menores em 47 anos de medições. Os últimos três anos estiveram muito abaixo dos dados históricos normais, informam Folha e phys.org.

Em outra frente, um estudo publicado na Earth System Dynamics apresenta uma conexão crítica – e até então subestimada – entre o gelo marinho da Antártica, a cobertura de nuvens e o aquecimento global. A pesquisa mostra que uma maior extensão do gelo marinho antártico hoje, em comparação com as previsões anteriores dos modelos climáticos, indica que se pode esperar um aquecimento mais significativo nas próximas décadas, segundo o phys.org.

O estudo indica que a absorção de calor pelos oceanos e a consequente elevação do nível do mar térmico até o ano 2100 devem ser de 3% a 14% maiores do que a média do CMIP6, um importante conjunto de modelos climáticos. Além disso, a projeção de retorno das nuvens é de 19% a 31% mais forte, o que aumenta a sensibilidade climática. Além disso, os pesquisadores estimam que o aquecimento global da superfície seja de 3% a 7% maior do que o previsto anteriormente.

Os cientistas constataram que a extensão do gelo marinho antártico no verão, considerada estável e com pouca relação com as mudanças climáticas, é um indicador crucial do clima do Hemisfério Sul. Modelos que partem de uma representação mais alta e precisa dos níveis de gelo marinho pré-industrial simulam águas superficiais mais frias, temperaturas oceânicas profundas mais baixas e cobertura de nuvens mais espessas nas latitudes médias.

Essas condições iniciais amplificam as respostas de aquecimento sob a força dos gases de efeito estufa, o que significa que levam a um efeito de aquecimento mais severo e acelerado do que o estimado anteriormente. Essencialmente, o ponto de partida do sistema climático o torna mais sensível ao impacto dos gases-estufa.

“Quando descobrimos inicialmente essa ligação entre o gelo marinho antártico histórico e a futura absorção global de calor pelos oceanos, ficamos surpresos com a força da relação. O gelo marinho antártico cobre menos de 4% da superfície do oceano, então como ele pode estar tão fortemente associado ao aquecimento global dos oceanos?”, pergunta Linus Vogt, que liderou o estudo na Universidade Sorbonne, em Paris, e agora trabalha na Universidade de Nova York. “Somente após muitas análises é que entendemos todas as implicações do acoplamento gelo marinho-oceano-atmosfera, responsável por essas mudanças globais”, completou.

  • Em tempo: Particularmente sensíveis às mudanças climáticas, as geleiras suíças perderam um quarto de seu volume em apenas dez anos, mostra um levantamento da GLAMOS, rede de monitoramento de geleiras no país, e da Comissão Suíça para Observação da Criosfera (SCC). O último inverno foi escasso em neve, e as ondas de calor de junho e agosto deste ano também não ajudaram. Assim, as geleiras da Suíça perderam 3% de seu volume, segundo as medições realizadas em cerca de 20 montanhas de gelo, ampliadas para o conjunto das 1.400 formações deste tipo existentes no país. Foi a 4ª maior redução desde o início das medições, depois das registradas em 2022, 2023 e 2003, informam Folha e g1.

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