
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reforçou a importância do multilateralismo para que países pequenos e médios tenham voz nas decisões sobre o clima. A cerca de 30 dias da conferência, Corrêa do Lago corre para fazer do evento a “COP da Verdade”, com implementação de ações e não mais compromissos que não se efetivam, ao mesmo tempo em que tenta resolver os imbróglios logísticos que ainda ameaçam a ida de delegações, ativistas, jornalistas e empresários a Belém (PA).
No evento “States of the Future: Rumo à COP30″, realizado ontem (6/10) no Rio de Janeiro, o embaixador afirmou que o multilateralismo assegura a legitimidade das decisões globais. “Fortalecer o multilateralismo quer dizer que você precisa das organizações internacionais funcionando como um Estado, porque elas representam a democracia internacional”, disse Corrêa do Lago, citado pelo Valor.
Segundo o presidente da COP, o fortalecimento do multilateralismo é uma das três prioridades do presidente Lula para as negociações em Belém. A segunda é “traduzir” o Acordo de Paris para a vida real, mostrando como metas e compromissos podem ter impacto concreto na economia e na população. E a terceira é envolver todos os atores internacionais na implementação dos compromissos climáticos.
Contudo, o embaixador reconhece o desafio de um consenso global, sobretudo com a atual posição dos Estados Unidos. Ao NY Times, ele disse que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que indicou que poderia vir a Belém, será bem-vindo. Mas lembrou que o norte-americano nega a viabilidade econômica dos esforços contra as mudanças climáticas.
Manter o multilateralismo vivo, aliás, é um dos indicadores que determinarão se a COP30 será um sucesso, na avaliação da Bloomberg e Bloomberg Línea. Outros desafios da conferência envolvem desatar o eterno nó do financiamento climático – e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em Inglês), pode ser um bom sinal; as metas climáticas (NDCs) dos países e a resposta do Brasil à síntese desses compromissos; e metas de adaptação climática.
Se o cenário geopolítico é delicado, o campo logístico ainda continua causando dor de cabeça na organização da conferência. Segundo o Valor, 87 países já confirmaram hospedagem em Belém e 86 seguem em contato e em processo de negociação. Mas ainda há delegações considerando não comparecer à COP30, informam g1 e Reuters.
Outra dúvida é a presença de ativistas, empresários e até mesmo jornalistas em Belém. Além dos custos da hospedagem, que caíram, mas continuam altos, há impasses no credenciamento para a Blue Zone (área de negociações) da COP30, devido à crescente pressão de empresas, informa a Exame.
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Em tempo 1: Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec mostra que mais de 64% dos brasileiros apoiam a realização da COP30 no Brasil, mas 55% afirmam estar “nada informados” sobre o evento, que acontecerá entre 10 e 21 de novembro em Belém, informam PlatôBR, Estado de Minas e Revista Fórum. Apenas 6% se consideram “muito informados” sobre o encontro. O desconhecimento é maior entre os brasileiros com ensino fundamental (62%) e renda familiar de até um salário mínimo (62%) – justamente a parcela da população que é mais atingida por eventos climáticos extremos e mais sofre perdas de vidas e de bens.
Em tempo 2: Em uma conversa de 30 minutos por telefone na manhã de ontem (6/10), o presidente Lula voltou a convidar Donald Trump para comparecer à COP30, informa o g1. O diálogo ocorreu após a “boa química” ocorrida entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro. A conversa também tratou do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros e das medidas restritivas aplicadas a autoridades brasileiras por causa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.



