Maioria dos brasileiros é contra explorar petróleo na Foz do Amazonas, mostra Datafolha

Segundo 60% dos entrevistados, os efeitos das mudanças climáticas, como enchentes e ondas de calor, já impactam suas vidas.
13 de outubro de 2025
quilombolas apo foz do amazonas
Reprodução/Google Maps

Para 61% dos brasileiros, o presidente Lula deveria proibir a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Esse é o resultado de um levantamento feito pelo Datafolha, encomendado pela organização de responsabilização corporativa Ekō.

Região de altíssima sensibilidade ambiental, a Foz do Amazonas tem blocos exploratórios de combustíveis fósseis concedidos a petrolíferas como Petrobras, ExxonMobil e Chevron, entre outras. A estatal brasileira aguarda uma licença do IBAMA para perfurar um poço para explorar combustíveis fósseis no bloco FZA-M-59, o que pode ser uma “porteira aberta” para outras perfurações na bacia.

O Datafolha entrevistou 2.005 pessoas entre os dias 8 e 9 de setembro. A pesquisa observou que a rejeição é ainda maior entre os jovens de até 24 anos. Neste grupo, 73% rejeitam a exploração de petróleo na região – independente da empresa responsável pela atividade, informa a Reuters.

Além disso, 60% dos respondentes ao levantamento disseram que os efeitos das mudanças climáticas, como enchentes e ondas de calor, já causam impacto negativo sobre eles e suas famílias. Além disso, 81% acreditam que o governo deve fazer mais para proteger as comunidades vulneráveis aos eventos climáticos extremos.

“Os próximos meses serão decisivos para o legado de Lula. A maioria dos eleitores brasileiros quer que ele proteja a Natureza e o clima, mas, no momento, ele está deixando que as empresas poluidoras tomem as decisões”, disse a coordenadora de campanhas da Ekō, Vanessa Lemos.

Apesar da ameaça da exploração de petróleo na Amazônia ao meio ambiente e ao clima e da rejeição popular, o apoio à atividade segue forte no governo. Na Folha, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, falou sobre o trabalho da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do IBAMA e deu como certa a licença para o poço no bloco 59. “Estão sendo superadas as últimas etapas de licenciamento. São etapas técnicas, que têm sido conduzidas com muito cuidado, muita maestria, pela ministra Marina, pela equipe do IBAMA”, afirmou Silveira, no seu costumeiro estilo morde-e-assopra, já que em outras primaveras pressionou Marina pela licença.

O argumento falacioso do “desenvolvimento” gerado pelo petróleo é reproduzido por políticos locais. O Poder 360 ressalta fala do governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), dizendo que a exploração de petróleo na Foz irá garantir o sustento das comunidades locais e a soberania energética do país. Difícil é saber onde está essa ameaça à soberania energética do Brasil, repetida incessantemente como um disco arranhado num país que hoje é exportador líquido de petróleo. Sem falar na oferta imensa de fontes renováveis.

Além disso, a construção da necessária transição energética justa é urgente – e não depende de dinheiro de novos poços de petróleo. Como Marina reforçou na 6ª feira (10/10), é necessário sair da dependência dos combustíveis fósseis, e as petrolíferas precisam deslocar agora seus recursos para energia renovável e combustíveis de baixo carbono, destaca a IstoÉ Dinheiro. Coisa que elas não fazem, como mostrou um estudo da Universidade Autônoma de Barcelona.

Voltando à exploração de petróleo na Foz do Amazonas, vale lembrar o recente relatório da rede “Parlamentares por um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis”, que traça um plano de ação para proteger a região amazônica dos impactos da expansão petrolífera. A Cenarium destaca que o documento tem como objetivo servir de referência para políticas públicas voltadas à transição energética justa e à defesa do bioma.

A pesquisa do Datafolha sobre a exploração de petróleo na Foz também foi destaque nos ICL Notícias, Click Petróleo e Gás, g1 e SBT News.

  • Em tempo: A frente defensora da exploração de petróleo e gás fóssil na Amazônia segue a todo vapor. O governo prevê oferecer blocos exploratórios na Bacia do Tacutu, em Roraima, perto da fronteira com a Guiana. As áreas foram apresentadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na 5ª feira (9/10), em audiência pública que debateu a inclusão de 275 novas áreas à lista da oferta permanente de áreas para concessão de petróleo no Brasil. Pelo andar da carruagem, será mesmo a COP30 a “COP da Verdade”? Folha, Folha BV e Cenarium dão detalhes.

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