
O embaixador André Corrêa do Lago assumiu a presidência da COP30 na manhã de ontem (10/11), primeiro dia da conferência do clima em Belém. Em seu discurso, o diplomata pediu aos países participantes que tenham o espírito de “mutirão”, mote da Agenda de Ação para a preparação do evento. Defendendo a adoção imediata de medidas para conter os impactos da crise climática, o diplomata citou a destruição provocada pelo tornado que atingiu o Paraná no fim da semana passada. E repetiu o lema mencionado pelo presidente Lula de fazer desta conferência a “COP da Verdade”, marcada pela implementação de decisões já discutidas anteriormente.
A edição deste ano da conferência do clima será marcada pela busca de soluções concretas e integração direta entre agenda climática e desenvolvimento econômico, na avaliação de Corrêa do Lago. “Estamos reunidos para tentar mudar as coisas. Acredito profundamente que o ser humano é essencialmente bom, embora capaz de coisas terríveis, como a guerra. Mas também é capaz de feitos extraordinários”, disse, ao defender a cooperação internacional no processo, informa a Carta Capital.
O embaixador ainda destacou que o mundo precisa reconhecer a urgência climática e que esse fator mudou sua própria percepção sobre o tema. “A questão da urgência é o elemento adicional”, afirmou, mencionando eventos climáticos extremos recentes, como os tufões nas Filipinas e o furacão Melissa na Jamaica, como exemplos da pressão crescente sobre governos e economias.
Para o embaixador, o Brasil chegou unido à COP30, destaca a Times Brasil. Ele ressaltou que essa coesão institucional é essencial, porque “os entes subnacionais têm um papel absolutamente essencial na implementação das decisões das COPs”.
Sobre a preparação da COP30, o embaixador parabenizou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pela condução das obras para a conferência, além de enfatizar a importância da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, citando o exemplo que ela representa para o mundo nos temas ambientais, informa o R7.
Um dia antes da abertura da COP, Corrêa do Lago disse que os países ricos perderam o entusiasmo pelo combate à crise climática, enquanto a China avança rapidamente na produção e utilização de equipamentos de energia renovável, destaca o Guardian. Para ele, mais países deveriam seguir o exemplo chinês, em vez de reclamar de serem superados pela concorrência. “De alguma forma, a redução do entusiasmo do Norte global está mostrando que o Sul global está se movimentando”, avaliou.
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Em tempo 1: No primeiro dia da COP30, chegou a 110 o número de entregas das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) sob o Acordo de Paris. Segundo o levantamento da plataforma Climate Watch, esse total representa 71% das emissões globais de gases de efeito estufa, informa a Folha. O salto se deu principalmente pela inclusão dos 27 países integrantes da União Europeia na lista. Até 6ª feira (7/11), apenas o documento do bloco tinha sido contabilizado. A NDC da UE vale para todas as nações do grupo, que submetem uma cópia do mesmo documento individualmente.
Em tempo 2: Imagens da CNN Brasil mostraram os assentos reservados à comitiva dos Estados Unidos vazios na abertura da COP30. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a ausência de representantes do governo estadunidense na conferência, informa o g1. “Estou aqui [no Brasil] por conta da ausência de qualquer liderança do governo dos EUA, é um vácuo. É de deixar o queixo caído. Nem um representante, nem um espectador para tomar notas foi levado a Belém. Isso é uma reversão completa do progresso feito pelo governo Biden", disse Newson em um evento em São Paulo com investidores e autoridades para discutir parcerias em sustentabilidade e inovação.



