
Não tardaram dois meses, desde a liberação da licença ambiental para a primeira fase exploratória do bloco 59 na Foz do Amazonas, para a Petrobras anunciar um acidente durante a perfuração. Segundo a Petrobras, o acidente ocorreu no domingo (4/01), a 2.700 metros de profundidade, com perda de fluido em duas linhas auxiliares, que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. Assim que identificado, o vazamento foi contido e isolado, e a operação foi suspensa. As tubulações foram levadas à superfície, avaliadas e reparadas, detalha o g1.
Não houve vazamento de petróleo, e sim de um fluido de perfuração chamado “lama”. O material é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Apesar de informar que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população, a Petrobras também classificou o incidente como risco de dano à saúde humana e ao meio ambiente à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Outra informação destoante é a quantidade vazada. Como mostra o Valor, o documento apresentado à ANP aponta 18,4 mil litros de fluido, enquanto o relatório inicial do acidente estimava 15 mil.
Em ofício, o IBAMA divulgou “grande preocupação […] acerca dos riscos e potenciais impactos da atividade” na região, cobrou um relatório e uma reunião com a petroleira, informa a Folha. O órgão ambiental ainda analisa o caso e condicionou a retomada das atividades a uma explicação das causas do acidente. No último dia 6, o Ministério Público Federal (MPF) no Amapá também exigiu explicações. O órgão recebeu resposta no dia 8 e informou que a documentação está em análise, conforme a CBN.
Diante dos riscos socioambientais da exploração da Foz do Amazonas, entidades da sociedade civil voltaram à Justiça Federal do Amapá para suspender a perfuração do bloco 59, relata a VEJA.
“O acidente evidencia que o risco não é remoto, mas concreto e atual, tornando inadmissível a continuidade das atividades enquanto persistirem lacunas no licenciamento”, diz o pedido de tutela antecipada enviado à 1ª Vara Cível do Amapá. Entre as organizações que assinam a petição estão Greenpeace, WWF, Instituto Arayara e a rede Observatório do Clima.



