
O grupo de investidores-ativistas Follow This se uniu a outros 20 investidores para apresentar resoluções solicitando explicações às petroleiras BP e Shell sobre o recuo recente em seus negócios de energia renovável. Eles querem saber como a direção dessas empresas pretende gerar valor caso a demanda global por petróleo e gás diminua, conforme projetado por especialistas do setor.
A iniciativa representa uma mudança de estratégia para esses investidores-ativistas. Na última década, com a assinatura do Acordo de Paris em 2015, esses grupos atuaram para forçar as empresas de combustíveis fósseis a alinhar seus modelos de negócio às metas globais de descarbonização e ao objetivo de conter o aquecimento global em 1,5oC neste século. No entanto, após a invasão russa da Ucrânia, a elevação dos preços dos combustíveis fósseis resultou em lucros históricos para o setor, o que motivou um movimento recente para ampliar os investimentos em energia suja, ao invés de diminuí-los.
Agora, como pontuou a CNBC, a estratégia passará a se basear nos riscos financeiros associados à queda na demanda por petróleo e gás. As propostas de resolução para as Assembleias Gerais Ordinárias (AGM, em Inglês) da BP e da Shell solicitam que as empresas divulguem como planejam continuar a gerar valor para seus investidores nesse cenário de menor consumo de energia fóssil.
“Todo investidor em sã consciência sabe – até mesmo a BlackRock – que as mudanças climáticas estão ameaçando todo o seu portfólio. Todos sabem disso, mas não se atrevem a agir”, afirmou Mark van Baal, fundador da Follow This. “Se quisermos aumentar a pressão sobre as companhias petrolíferas para que mudem, precisamos aumentar o número de votos e incluir um novo ponto de discussão no debate”. A Reuters também repercutiu essa notícia.Enquanto isso, a direção da BP segue desmontando seus negócios de energia renovável. Nesta semana, a empresa britânica anunciou que espera reduzir o valor de suas operações de energia renovável em até US$ 5 bilhões. Como o Guardian informou, a BP vem tentando vender sua participação no negócio de energia solar Lightsource e cancelou projetos de hidrogênio verde no Reino Unido, em Omã e na Austrália. A informação também foi destacada pelo Financial Times e pela Reuters.



