Glitter de microplástico é encontrado em praia do RJ 8 meses após a festa

Uma das festividades mais esperadas do ano é poluente; a substância interfere no sequestro de carbono pelo mar.
15 de janeiro de 2026
glitter microplástico praia rj
Unsplash

O Carnaval é uma das festas populares mais importantes do Brasil, claro. Infelizmente, um estudo recente da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) mostra que também é uma das festas mais poluentes. 

Pesquisadores escolheram a Praia do Flamengo para coletar amostras de areia devido à sua relevância ecológica e logística. Por ser famosa – um dos cartões postais da Baía de Guanabara – e de fácil acesso, o local recebe diversos blocos, alguns com mais de 100 mil pessoas, conta a Veja.

Foram coletadas amostras de areia em quatro ocasiões: três dias antes do Carnaval, 4 durante o Carnaval, 3 após o Carnaval e 8 meses após o Carnaval. A menor taxa de microplásticos foi encontrada na primeira coleta e o pico de concentração aconteceu na 3ª fase, informam g1 e Correio Braziliense.

O dado alarmante, segundo os especialistas, é a presença da substância na praia, mesmo após oito meses do evento. Há evidências de que os microplásticos são ingeridos por diversos animais da cadeia alimentar, dos plânctons aos peixes, o que pode causar problemas no trato digestivo, redução de crescimento, estresse e inflamação.

Outro estudo recente abordado pel’O Eco Debate analisou pesquisas da última década para entender como estas partículas influenciam o ambiente marinho. Os pesquisadores descobriram que os microplásticos interferem nos processos biológicos responsáveis pelo sequestro de carbono, o que acelera os efeitos do aquecimento global.

Ao interferir no processo de fotossíntese do fitoplâncton e prejudicar o metabolismo do zooplâncton, as partículas plásticas intoxicam e estressam esses organismos fundamentais para a absorção de CO₂ no oceano.

No Brasil, o Projeto de Lei nº 347/20 propõe a proibição da fabricação e da venda de glitter a partir de microplástico, mas o texto está parado na Câmara dos Deputados, sem sinais de movimentação relevante. “O avanço depende da maturidade do debate entre gestores e população, pressão social e institucional, além da viabilidade de alternativas biodegradáveis que sejam acessíveis e baratas”, avaliou Tatiana Medeiros Barbosa Cabrini, coautora do estudo e professora da UNIRIO.

  • Em tempo: Na Ilha de Trindade, ponto mais leste do Brasil, os ninhos de tartaruga-verde sofrem com o plástico que se acumula e compromete a conservação da espécie. O achado foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A substância se acumula em "rochas plásticas", aglomerados do material e de sedimentos naturais provenientes da ação humana, como fogueiras. As rochas encontradas na Ilha desde 2019 estão se erodindo e espalhando fragmentos para outras seis praias da Ilha. A maioria do macroplástico e do microplástico se acumula nas depressões onde as tartarugas enterram seus ovos. A Folha detalha.

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