
O ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história. A elevação da temperatura média global é um efeito das mudanças climáticas, provocadas pela atividade humana, principalmente pela queima de petróleo, gás fóssil e carvão. Mas não mais para a NASA, a agência espacial dos Estados Unidos.
O órgão não mencionou a crise climática em seu mais recente relatório anual de referência sobre as temperaturas globais, informam Folha, WION, Euronews e Energy Mix. A postura é obrigada pela política de negação da realidade do presidente dos EUA: o aquecimento global é, sim, provocado por ações da Humanidade, como já cansaram de mostrar centenas de estudos científicos.
O mais curioso do negacionismo é que, segundo os dados da NASA, 2025 foi ainda mais quente do que 2023, tornando-o o segundo ano mais quente já registrado, o que contraria o apontamento do observatório europeu Copernicus. De acordo com as medições da agência espacial estadunidense, as temperaturas médias de 2025 estiveram 1,19°C acima da média calculada para o período de 1951-1980.
“A análise do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA inclui dados de temperatura do ar adquiridos por mais de 25 mil estações meteorológicas ao redor do mundo, de instrumentos baseados em navios e boias que medem a temperatura da superfície do mar e de estações de pesquisa na Antártica”, diz o comunicado oficial da agência sobre o relatório.
A falta de menção às mudanças climáticas no último relatório representa uma reviravolta em relação aos documentos anteriores da agência, como o do ano passado, publicado ainda durante o governo do democrata Joe Biden. O relatório anterior afirmou taxativamente: “Este aquecimento global tem sido causado pelas atividades humanas”.
“A negação das mudanças climáticas é realmente preocupante e está em desacordo com quase todos os demais países do mundo, incluindo a maioria dos maiores produtores de petróleo. Ignorar os impactos das mudanças climáticas deixará os EUA menos capazes de lidar com esses impactos – que continuarão a ocorrer independentemente do que Trump pense”, ressalta Mike Scott, da Carbon Copy Communications.
Em tempo: As ações pelo clima e pelo meio ambiente continuam caminhando, apesar do negacionismo destrutivo de Donald Trump. Entrou em vigor, no sábado (17/1), o tratado de proteção da biodiversidade marinha além da Jurisdição Nacional (BBNJ, na sigla em Inglês). É um tratado histórico global da ONU para salvaguardar a biodiversidade em alto-mar, fornecendo aos países uma estrutura juridicamente vinculante para combater ameaças como a sobrepesca e atingir a meta de proteger 30% do ambiente oceânico até 2030, explica a Reuters. O BBNJ foi finalizado em março de 2023, após 15 anos de negociações, e permitirá a criação de uma rede global de "áreas marinhas protegidas" em vastos ecossistemas oceânicos anteriormente não regulamentados, localizados em águas internacionais.



