
Pouco depois da operação hollywoodiana que sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que o objetivo da ação não era a democracia, e sim o petróleo. Mas a sanha por combustíveis fósseis do “agente laranja” não se restringe ao país sul-americano detentor de cerca de 20% das reservas mundiais da commodity.
Uma análise da 350.org e da Zero Carbon Analytics mostrou que 68% da produção global do combustível fóssil é impactada pelas aspirações dos EUA de dominar os mercados mundiais de petróleo e gás, informam Cenarium e UOL. O dado surge em meio a estratégias explícitas de ampliação da influência política, econômica e militar estadunidense em várias regiões do planeta.
O estudo associa a pretensão concentradora dos EUA a choques econômicos recorrentes, ao aumento de preços e à instabilidade política em diversas regiões do mundo. Esse controle da commodity amplia riscos que extrapolam fronteiras nacionais e escancara como a dependência do petróleo é perigosa para a segurança energética e deve ser substituída pela produção de energia renovável, em escala regional/nacional/local.
“A dependência do petróleo nunca nos tornou tão vulneráveis e inseguros, um risco à segurança, expondo países e consumidores a aumentos repentinos de preços, interrupções no fornecimento e instabilidade provocada por conflitos. Cada escalada, sanção ou ameaça de uso da força se propaga pelos mercados globais, atingindo as famílias com contas mais altas e os governos com choques econômicos que não podem controlar. A verdadeira alternativa é óbvia: um sistema energético que nenhum ditador ou superpotência possa desligar, renovável, local e controlada pelas pessoas, não pelos poluidores. Sistemas de energia renovável não exigem proteção militar, não desestabilizam regiões e não desencadeiam conflitos geopolíticos”, afirma Andreas Sieber, chefe de Estratégia Política da 350.org.
Ao longo do último ano, o governo dos EUA bombardeou ou interveio militarmente na Venezuela, no Irã e no Iraque, além de emitir ameaças explícitas de uso da força contra diversos outros países e territórios, incluindo o Canadá, a Colômbia, a Groenlândia e o México. Nas Américas, muitos dos países ameaçados por Trump podem não estar sob controle direto dos EUA, mas são amplamente considerados como estando na esfera de influência estratégica de Washington, o que acarreta riscos políticos e de mercado significativos, frisa a 350.org.
Mesmo os produtores de petróleo que não estão sujeitos a ameaças diretas dos EUA estão profundamente inseridos nos sistemas militar e financeiro do país, como demonstra a longa cooperação em segurança entre EUA e Arábia Saudita e a integração financeira e de defesa dos Emirados Árabes Unidos. Na prática, isso reforça a influência dos EUA no fornecimento global de petróleo, sem a necessidade de ação militar direta.
Em conjunto, 79% da produção global de petróleo está localizada na esfera de influência dos EUA ou é controlada pela Rússia. O que evidencia a volatilidade estrutural e a insegurança inerentes aos mercados petrolíferos atuais.



