Desigualdade climática: estudo mede impactos das mudanças do clima nas favelas do Rio de Janeiro

Áreas mais ricas têm cobertura vegetal e espaços climatizados, enquanto favelas enfrentam sensação térmica de 50°C e acesso precarizado a água e luz.
19 de janeiro de 2026
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Dhani Borges / via Flickr

Pesquisadores da Universidade de Utrecht (Holanda), junto com organizações brasileiras, buscaram entender como o calor extremo afeta a vida de 1,3 milhão de pessoas que moram nas favelas do Rio de Janeiro. O estudo detalhou como as mudanças climáticas afetam de forma desigual moradores de áreas ricas e de áreas vulneráveis.

Foram instalados termômetros em casas nas comunidades Chapéu Mangueira e Morro da Babilônia, na Zona Sul da cidade, para medir as temperaturas internas. Além disso, os moradores foram convidados a manter um “diário de calor”, para documentar como as altas temperaturas afetam suas rotinas diárias, explica a Reuters.

E, mais uma vez, o verão não tem sido fácil na capital fluminense, e pior ainda nas comunidades e bairros mais populares. No dia mais quente até agora no Rio de Janeiro, em 12 de janeiro, o termômetro chegou a marcar 42,2°C no Complexo do Alemão, na Zona Norte. A sensação térmica chegou a 50°C em algumas áreas da região. A medição é do Observatório do Calor, parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima e a ONG Voz das Comunidades. Apesar de existir desde 2023, foi a primeira vez que a iniciativa registrou temperatura tão alta, explica o g1.

A Zona Norte carioca é apontada como um arquipélago de calor. Bairros como Penha, Olaria e Madureira têm arborização zero em determinados pontos. E segundo o Observatório do Calor, 95% dos moradores do Complexo do Alemão afirmam ter acesso irregular ou precário à água, relata o Voz das Comunidades.

A situação é ainda mais grave para quem trabalha, circula e mora na rua, pessoas que se submetem a temperaturas cada vez mais altas e perigosas. No período de Natal, o calor extremo levou 450 pessoas por dia às unidades de saúde da cidade, a maioria por queimaduras provocadas pela exposição ao sol, informa Flávia Oliveira n’O Globo.

Segundo a especialista em climatologia Núbia Armond, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora na Universidade de Indiana (EUA), a população em situação de rua é extremamente impactada pelo calor. Com dificuldades para acessar água potável, banho e abrigo, o grupo tem doenças circulatórias, dermatológicas e cardiovasculares agravadas, ressalta o g1.

Uma das soluções do poder público carioca para amenizar o calor é o aumento da arborização na cidade. Em dezembro, a prefeitura do Rio lançou um serviço de solicitação de plantio de mudas. Em 15 dias, recebeu 1.000 ligações – metade da média de um ano. A região com maior número de ligações foi, justamente, a Zona Norte.

  • Em tempo: A ONG We World, em parceria com a Avuar Social, ouviu mulheres de comunidades indígenas de Realejo e Mambira, em Crateús (CE), que afirmam que a pobreza agravada pelas mudanças climáticas tem aumentado o número de casamentos infantis. A informação integra o relatório “Sobre Nossas Terras, Sobre Nossos Corpos”. Meninas de 12 ou 13 anos entram em uniões com homens mais velhos em troca de segurança econômica ou abrigo, destaca a Folha. "As mudanças climáticas costumam ser descritas por ondas de calor, enchentes e secas, mas suas consequências vão muito além disso", diz Mariana Tavares, assessora de programas da ONG Women Deliver. "Choques climáticos desorganizam os sistemas de saúde, as cadeias de abastecimento e a proteção social, e essas interrupções afetam diretamente a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos."

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