
Após três anos do decreto governamental que declarou situação de emergência na Terra Indígena (TI) Yanomami, o cenário mudou em diversos aspectos. A mortalidade e os casos de doenças caíram. No entanto, lideranças apontam que ainda falta transparência nos dados. E mantêm sua preocupação com a presença contínua de garimpeiros na região.
Ao longo de 2023 – o primeiro ano de combate à crise humanitária causada pelo (des)governo Bolsonaro -, os esforços do governo federal se concentraram na saúde, com a prestação de atendimentos emergenciais, e na destruição de acampamentos e equipamentos do garimpo ilegal. No ano seguinte, foi criada a Casa do Governo, a fim de manter ações efetivas e contínuas no território.
Já em 2025, foi inaugurado em Surucucu o primeiro hospital indígena do Brasil dentro da TI Yanomami, que atende cerca de 60 comunidades, alcançando cerca de 10.000 pessoas. O hospital realiza serviços de urgência, emergência, consultas, exames e tratamento de doenças.
Outra medida adotada foi a ampliação das equipes. O número de profissionais atuando no território quase triplicou e chegou a 1.855 servidores – um aumento de 169% em relação aos 690 que trabalhavam na região há três anos. Entre eles estão técnicos em enfermagem, médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de outras 32 categorias.
As ações governamentais resultaram em ganhos para a saúde dos Yanomami. De janeiro a junho de 2023, 217 indígenas morreram vítimas de desnutrição, malária, infecções respiratórias agudas e outras causas. No mesmo período de 2025, foram 157 óbitos, o que representa uma redução de 28%. Em 2023, foram registrados 14.018 casos de malária no território. Em 2025, houve um aumento de 1,5%, com 14.233 casos; no entanto, foram confirmadas apenas três mortes pela doença.
Apesar disso, Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da associação Urihi, cobra mais transparência do governo federal em relação à saúde. Os dados mais recentes são de junho de 2025, informa o g1.
“Pedimos ao Ministério da Saúde que crie um canal para nós acompanharmos todas as informações sobre a saúde Yanomami, principalmente onde estão as comunidades mais vulneráveis, Xitei, Parima, na região de Surucucu. A gente precisa acompanhar o que realmente melhorou e o que falta”, afirmou.
Segundo dados do governo federal, com base no monitoramento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), o garimpo ativo na TI Yanomami caiu 99% entre março de 2024 e janeiro de 2026. A retração causou prejuízos de mais de R$ 642 milhões à estrutura econômica da atividade criminosa, segundo a Folha BV.
O garimpo ilegal é a causa primária da situação de emergência na TI. Entre 2019 e 2022, a atividade fez explodir casos de desnutrição, malária e outras doenças na região, além de provocar desmatamento, contaminação dos rios por mercúrio e danos à caça e à pesca dos Yanomami.



