Três anos após crise na TI Yanomami, lideranças apontam o que ainda falta

Houve queda na mortalidade e na incidência de doenças, mas ainda há preocupação com garimpeiros que permanecem no território.
20 de janeiro de 2026
yanomamis
APIB

Após três anos do decreto governamental que declarou situação de emergência na Terra Indígena (TI) Yanomami, o cenário mudou em diversos aspectos. A mortalidade e os casos de doenças caíram. No entanto, lideranças apontam que ainda falta transparência nos dados. E mantêm sua preocupação com a presença contínua de garimpeiros na região.

Ao longo de 2023 – o primeiro ano de combate à crise humanitária causada pelo (des)governo Bolsonaro -, os esforços do governo federal se concentraram na saúde, com a prestação de atendimentos emergenciais, e na destruição de acampamentos e equipamentos do garimpo ilegal. No ano seguinte, foi criada a Casa do Governo, a fim de manter ações efetivas e contínuas no território.

Já em 2025, foi inaugurado em Surucucu o primeiro hospital indígena do Brasil dentro da TI Yanomami, que atende cerca de 60 comunidades, alcançando cerca de 10.000 pessoas. O hospital realiza serviços de urgência, emergência, consultas, exames e tratamento de doenças.

Outra medida adotada foi a ampliação das equipes. O número de profissionais atuando no território quase triplicou e chegou a 1.855 servidores – um aumento de 169% em relação aos 690 que trabalhavam na região há três anos. Entre eles estão técnicos em enfermagem, médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de outras 32 categorias.

As ações governamentais resultaram em ganhos para a saúde dos Yanomami. De janeiro a junho de 2023, 217 indígenas morreram vítimas de desnutrição, malária, infecções respiratórias agudas e outras causas. No mesmo período de 2025, foram 157 óbitos, o que representa uma redução de 28%. Em 2023, foram registrados 14.018 casos de malária no território. Em 2025, houve um aumento de 1,5%, com 14.233 casos; no entanto, foram confirmadas apenas três mortes pela doença.

Apesar disso, Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da associação Urihi, cobra mais transparência do governo federal em relação à saúde. Os dados mais recentes são de junho de 2025, informa o g1.

“Pedimos ao Ministério da Saúde que crie um canal para nós acompanharmos todas as informações sobre a saúde Yanomami, principalmente onde estão as comunidades mais vulneráveis, Xitei, Parima, na região de Surucucu. A gente precisa acompanhar o que realmente melhorou e o que falta”, afirmou.

Segundo dados do governo federal, com base no monitoramento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), o garimpo ativo na TI Yanomami caiu 99% entre março de 2024 e janeiro de 2026. A retração causou prejuízos de mais de R$ 642 milhões à estrutura econômica da atividade criminosa, segundo a Folha BV.

O garimpo ilegal é a causa primária da situação de emergência na TI. Entre 2019 e 2022, a atividade fez explodir casos de desnutrição, malária e outras doenças na região, além de provocar desmatamento, contaminação dos rios por mercúrio e danos à caça e à pesca dos Yanomami.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Desafios e soluções

Aqui você terá acesso a conteúdo que permitirão compreender as consequências das mudanças climáticas, sob os pontos de vista econômico, político e social, e aprenderá mais sobre quais são os diferentes desafios e as possíveis soluções para a crise climática.
15 Aulas — 7h Total
Iniciar