
A comercialização de agrotóxicos no Brasil atingiu o recorde de 826 mil toneladas em 2024. O glifosato foi o mais vendido, com mais de 232 mil toneladas comercializadas, seguido pelos ingredientes ativos mancozebe, 2,4-D, acefato e clorotalonil. Os dados foram compilados pelo IBAMA a partir de autodeclarações enviadas pelas empresas titulares dos registros de produtos e consideram apenas os produtos formulados.
Principal produtora de grãos do país, a região Centro-Oeste registra o maior volume de agrotóxicos comercializados em 2024: 329 mil toneladas. O líder no consumo foi Mato Grosso, com mais de 205 mil toneladas.
Apesar do recorde nos agrotóxicos, o IBAMA destacou o “crescimento expressivo na produção e na comercialização de bioinsumos, puxado pelo aumento nas vendas de produtos formulados a partir de agentes microbiológicos de controle”. Segundo o órgão ambiental, a comercialização atingiu 89 mil toneladas vendidas em 2024 – pouco mais de 10% da comercialização de químicos.
Entre 2024 e 2025, a área onde agrotóxicos são aplicados cresceu 3,4% no país, chegando a 2,6 bilhões de hectares. Quanto à variedade de defensivos, há mais de 7,4 mil produtos químicos e biológicos autorizados no país desde 2000. Os registros ativos disponíveis são 874, dos quais 722 agroquímicos e 152 biológicos, informa o Globo Rural.
Na 3ª feira (20/1), o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, afirmou que o governo federal banirá agrotóxicos considerados “ultraperigosos”, mas não deu detalhes. É uma ação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), relatam Band e Globo Rural.
A estratégia central do Pronara é promover a substituição gradual dos agrotóxicos por bioinsumos. No entanto, há ao menos um projeto de decreto legislativo para suspender o decreto presidencial que criou o programa, segundo o Estadão. De autoria do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), a proposta já passou pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e está na Comissão de Meio Ambiente dessa casa.
O Pronara recebeu críticas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da CropLife, na época do lançamento.
Em dezembro passado, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) entraram com pedidos na ANVISA para a reavaliação e a suspensão temporária do glifosato, da atrazina e do alacloro.
Em tempo: Um mês após a decisão judicial que suspendeu a aplicação de agrotóxicos no entorno de 16 escolas e quatro unidades de saúde em Belterra (PA), uma das principais vozes na denúncia de casos de intoxicação por pesticidas, a professora Heloise Rocha, foi transferida da escola onde lecionava há uma década. A secretaria municipal justifica a mudança por redução de turmas. Heloise, porém, questiona a alegação, já que só ela foi transferida, enquanto outros concursados seguem na escola, informam Repórter Brasil e Ver o Fato.



