
A Petrobras informou na 6ª feira (23/1) que ainda investiga as causas do vazamento de quase 20 mil litros de fluido de perfuração no poço exploratório Morpho, no bloco FZA–M-59, na Foz do Amazonas, ocorrido em 4 de janeiro. A estatal, porém, descartou quaisquer problemas com o navio-sonda NS-42 [ODN II], responsável pela perfuração, ou com o poço, e afirmou que ambos “permanecem em total condição de segurança”, segundo a eixos.
A informação foi enviada ao IBAMA, que, assim como a Agência Nacional do Petróleo (ANP), cobra da petrolífera um relatório com explicações sobre o acidente. De acordo com as informações da Petrobras, a sonda ainda não estava perfurando o subsolo marítimo quando o vazamento foi identificado. A perda de fluido ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a NS-42 a Morpho, informa a Megawhat.
Segundo a empresa, “a ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração, tampouco ao meio ambiente” – acredite quem quiser. Além disso, a petrolífera afirmou que pretende retomar a atividade após a conclusão dos trabalhos de reparo – que ainda não têm data.
Retomar a exploração do Bloco 59, contudo, não dependerá apenas da vontade da Petrobras. A empresa precisa obter o aval da ANP. A agência deu prazo até o dia 6 de fevereiro para que a petrolífera apresente um diagnóstico inicial das falhas identificadas.
Independentemente da explicação da Petrobras, o vazamento de fluido de perfuração é o primeiro alerta sobre os imensos riscos, amplamente expostos por especialistas e ambientalistas, da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. Riscos decorrentes da combinação da complexidade da operação em si com a complexidade da dinâmica marinha e costeira da região e de sua sensibilidade ambiental, além do baixo conhecimento sobre o impacto da atividade petrolífera na Foz, explica Nils E. Asp, professor do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
“Tirar conclusões sobre o acidente, nesse momento, seria precipitado. Mas o vazamento de fluido é um grande alerta que mostra como os estudos ambientais são verdadeiramente uma necessidade”, frisa Asp em artigo no The Conversation, reproduzido na Superinteressante.
Em tempo: Definir metas claras e compulsórias de descarbonização, eficiência energética e transformação tecnológica: este é um dos pontos das contribuições que o WWF-Brasil elaborou para o mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis que o governo federal pretende preparar, informam Valor, Exame e CicloVivo. O WWF-Brasil também propõe ao governo considerar o custo social do carbono em projetos de infraestrutura; reduzir progressivamente os subsídios à produção; e interromper a expansão da fronteira fóssil.



