
Após 2.558 dias desde 25 de janeiro de 2019, quando a barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, rompeu, matando 272 pessoas e provocando uma das maiores tragédias socioambientais do Brasil, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou as buscas por vítimas do acidente. Duas delas não foram encontradas: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária da Vale, Nathália de Oliveira Porto Araújo. Também foi concluída a vistoria de todo o rejeito decorrente do desastre.
Passados sete anos, a tragédia provocada pela mineradora brasileira permanece sem solução na Justiça e com ações de reparação incompletas, destaca o Valor. Segundo O Tempo, apenas 274 mil dos cerca de 1 milhão de m³ de rejeitos que atingiram a calha do rio Paraopeba foram removidos por meio de dragagem – menos de 30% da lama tóxica que se espalhou com o rompimento da barragem. E um novo estudo mostra que a contaminação do solo na bacia do Paraopeba continua prejudicando a restauração da flora da região, informa a Folha.
Sobreviventes e familiares das vítimas estão na expectativa do início de uma etapa importante do processo criminal que apura as responsabilidades pela tragédia. No dia 23 de fevereiro, as testemunhas do caso começarão a ser ouvidas, informam g1 e GGN. Até hoje, ninguém foi julgado pela tragédia.
As audiências devem se estender até maio de 2027 e vão ouvir sobreviventes, familiares das vítimas, testemunhas e réus. Ao final dessa fase, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá decidir se o caso será levado a júri popular. Ao todo, 15 pessoas podem responder criminalmente pelo rompimento: 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale e quatro funcionários da TÜV SÜD, multinacional alemã responsável por atestar a estabilidade da barragem.
Ainda há reclamações sobre o adoecimento da população que vive nas áreas atingidas pela lama e sobre a demora nas ações de reparação. Estudos do comitê técnico-científico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indicam que 70% dos domicílios relatam algum mal, como depressão, estresse, insônia, ansiedade, hipertensão e outros sintomas associados ao trauma.
Quanto ao rio Paraopeba, estudos indicaram que ainda há rejeitos acumulados em sua calha e que a qualidade da água piora nos dias de chuva. Além disso, a água contém metais como manganês, arsênio, chumbo, mercúrio e cádmio. Entre quem vive na calha do Paraopeba, 77% temem a contaminação dos alimentos pela água, o que dificulta a retomada das atividades agropecuárias pelos moradores da região.
A recuperação da flora destruída pelos rejeitos também não avança. Os metais pesados impactam a germinação e o crescimento das plantas, especialmente das espécies maiores, impedindo que a vegetação da bacia volte ao seu estado original. Os dados são de um novo estudo publicado no início do mês na revista Environmental Pollution pelos pesquisadores Jerusa Schneider, Jefferson Picanço e Maíra Silva, do grupo de pesquisa Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens (CRIAB), da UNICAMP.
“Esses elementos tóxicos reduzem drasticamente a emergência das plantas do banco de sementes do solo, prejudicando a velocidade e a sincronia da germinação. As plantas até emergem, crescem, mas depois acabam morrendo”, afirma Maíra. “Isso indica um efeito de contaminação aguda e reforça a preocupação com a regeneração e a restauração ecológica”, completa.
Apesar da morosidade e de todos os impactos da irresponsabilidade da Vale, o engenheiro ambiental Sebastião Gomes, que sobreviveu à tragédia fugindo da lama em uma picape, como mostra o Jornal Nacional, diz ter certeza de que a justiça será feita. “Nossa Justiça é morosa demais; [quando envolve] quem tem dinheiro, a morosidade é maior ainda. (…) O nosso sonho é que essa página seja virada de uma maneira justa”, desabafa.
Band, Rádio Itatiaia, Jornal de Brasília, CBN, Brasil de Fato, O Tempo, Estado de Minas, Poder 360 e Rádio Itatiaia também repercutiram o sétimo aniversário da tragédia de Brumadinho.
Em tempo: No dia do 7º aniversário da tragédia de Brumadinho, um dique da Mina de Fábrica, da Vale, entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, rompeu-se, informa a Rádio Itatiaia, e os rejeitos atingiram uma estrutura da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), segundo o g1. Áreas na unidade Pires, da CSN Mineração, foram inundadas, incluindo o almoxarifado, os acessos internos, as oficinas mecânicas e a área de embarque. Segundo a Vale, houve um "extravasamento de água com sedimentos”, relata O Tempo. Não houve registro de feridos. A Defesa Civil mineira foi acionada e deslocou equipes técnicas para vistoriar o local e avaliar os riscos ambientais e estruturais. As prefeituras de Congonhas e Ouro Preto também mobilizaram equipes para monitorar o transbordamento, informa o Correio Braziliense.



