
A produção global de petróleo deverá superar com folga a demanda neste ano. Segundo a última edição do Oil Market Report, da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em Inglês), a oferta do combustível fóssil crescerá 2,5 milhões de barris por dia (bpd) em 2026, enquanto a demanda aumentará 930 mil bpd – ou seja, menos de 40% da elevação da produção.
O excedente de petróleo será bastante significativo neste trimestre, apesar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela – que detém grandes reservas – e ao Irã, grande produtor mundial de petróleo. Na avaliação da IEA, o excesso de oferta compensou o risco geopolítico de interrupções no fornecimento, informa a Reuters.
Segundo o Oil Market Report, a oferta global de petróleo excederá a demanda em 4,25 milhões de barris por dia entre janeiro e março deste ano. Um excedente dessa magnitude representaria cerca de 4% da demanda mundial e seria maior do que as previsões atuais.
Para a agência, o cenário reforça o acúmulo já visível nos estoques, relata a Exame. Em 2025, as reservas globais aumentaram em 470 milhões de barris (1,3 milhão de bpd, em média), resultado de um ciclo de alta coordenada de produção, liderado por EUA, Canadá, Brasil, Guiana e Argentina.
O excesso de petróleo se reflete nos preços internacionais da commodity, mesmo diante dos solavancos provocados pelas ações de Donald Trump neste mês. A IEA mostra que os preços de referência do petróleo bruto subiram cerca de US$ 6/barril no início do ano, em decorrência dos desdobramentos geopolíticos no Irã e na Venezuela, mas recuaram em meados do mês com a diminuição das tensões.
Vale lembrar que a agência reviu para cima sua projeção de demanda para 2026, segundo a Argus Media. Antes, a IEA projetava que o consumo de petróleo cresceria em 860 mil bpd neste ano. No entanto, as expectativas mais altas de demanda pelo combustível fóssil na região Ásia-Pacífico e na África se ampliaram. Isso elevaria a demanda total para 105 milhões de barris diários – ainda assim, abaixo da oferta de 108,7 milhões de bpd prevista pela entidade.
Em tempo: "Não vai impactar o preço da gasolina no mundo, não vai prejudicar a China, não vai mexer no mercado de energia." Dentre os motivos listados por Donald Trump para invadir a Venezuela, revitalizar a produção de petróleo do país sul-americano e baixar o preço dos combustíveis parecem os mais frágeis, afirma à Folha Roberto Schaeffer, professor da UFRJ. Especialista em energia e integrante do IPCC desde 1998, Schaeffer desfia uma série de dados para mostrar que a aposta do “agente laranja” de reviver a produção venezuelana não faz sentido, tanto no âmbito ambiental quanto no econômico. "Por ser um óleo pesado, significa que você não tira grandes frações dos derivados mais leves, que é, de fato, o que o mundo quer. O mundo quer gasolina, diesel. O mundo quer querosene de aviação. Para produzir derivados leves de um óleo pesado, você tem que ter uma refinaria muito mais complexa, quebrar grandes moléculas. Tudo é mais complicado. Do ponto de vista técnico, não faz sentido”, avalia.



