Brasil perde 1,4 bi de toneladas de carbono no solo com expansão agropecuária

Déficit na camada de até 30 cm de profundidade do solo equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2equivalente, mostra estudo.
3 de fevereiro de 2026
agropecuária desmatamento
xuanduongvan87 / Pixabay

A conversão de vegetação nativa em áreas para agropecuária causou uma perda de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada superficial do solo de 30 cm de espessura. Isso equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) – cerca de 3,5 vezes as emissões líquidas do Brasil em 2024, que totalizaram 1,48 bilhão de tCO2e, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

O dado integra um estudo publicado na revista Nature Communications e desenvolvido por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da USP, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da EMBRAPA. É a primeira vez em que se calcula o estoque de carbono em todos os biomas existentes no Brasil antes de intervenções antrópicas e se mensura o déficit causado pela conversão de vegetação nativa em lavouras e pastagens.

A pesquisa avaliou mais de 370 estudos publicados anteriormente. Além do déficit, o levantamento indica áreas com maior potencial de recarbonização do solo, assim como pode subsidiar políticas públicas e ações privadas voltadas à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, informam Estadão e AGROLINK.

O estudo prova que a forma como se produz impacta diretamente a retenção de carbono no solo. A conversão de mata nativa para monoculturas tradicionais causa uma perda média de 22% de matéria orgânica. No entanto, quando são adotados sistemas integrados (lavoura-pecuária), essa perda cai para 8,6%, explica o Gigante 163.

A técnica de plantio direto também se mostrou muito mais eficiente que o cultivo convencional, mostra a pesquisa. Enquanto o método tradicional (que revolve o solo antes do plantio e o deixa exposto entre as safras) perde 21,4% de carbono, o plantio direto (no qual o solo está sempre coberto e o revolvimento é mínimo) limita essa redução a 11,4%. 

A análise dos dados confirmou que o clima é um fator importante no balanço de perdas e armazenamento de carbono orgânico no solo. Locais mais frios e úmidos, como os biomas Pampa e Mata Atlântica, apresentaram maiores estoques de carbono em comparação aos biomas de climas tropicais, como Cerrado, Pantanal, Caatinga e Amazônia. Da mesma forma, alterações de uso da terra, com introdução de práticas agropecuárias, causaram maior perda de carbono nos locais com maior estoque inicial.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar