
O derretimento do Ártico, provocado pelas mudanças climáticas, mudou a dieta da população de ursos polares no arquipélago de Svalbard, na Noruega, mostra estudo publicado na revista Scientific Reports. Surpreendentemente, os animais ganharam peso. Mas essa condição não deve se manter.
Pesquisadores compararam o índice de condição corporal, uma medida de peso e teor de gordura dos ursos polares, com a taxa de derretimento do gelo marinho no mar de Barents, no Círculo Polar Ártico. Apesar da temperatura das águas ter subido 2°C desde 2000 e o número de dias sem neve ter subido para 100, os animais ganharam peso à medida que o gelo recuou.
Diante das condições adversas, o cientista sênior do Instituto Polar Norueguês e autor do estudo, Jon Aars, disse que esperava que os ursos “estariam lutando para sobreviver, ficariam mais magros, mais esqueléticos e talvez você viesse a ver efeitos na reprodução e na sobrevivência”. Mas o que aconteceu foi que os ursos polares estão, agora, comendo outros animais, como renas e morsas, focas-anelares e até mesmo ovos de pássaros, contam Folha e New York Times.
No entanto, o aumento do peso corporal pode ser temporário. Com a continuidade do derretimento do gelo marinho, a tendência é que os ursos polares comecem a perder peso e tenham problemas para sobreviver e se reproduzir. Ou seja, a adaptação surpreende, mas tem limites.
Como Exame e Um Só Planeta explicam, enquanto um grupo pequeno, de cerca de 250 ursos, não viaja para longe para buscar comida, outro grupo maior segue o gelo marinho em busca de focas. À medida que esse gelo derrete, o grupo que vive mais afastado no mar terá que nadar mais longe para alcançar seu alimento durante o inverno, antes de retornar à terra para se reproduzir.
A população total de ursos polares é de cerca de 26 mil animais, distribuídos em 20 subpopulações, contam R7 e Veja. Destas, duas estão aumentando em tamanho, quatro estão estáveis e três estão em declínio. As outras 11 não possuem informações suficientes, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em Inglês).
Além da perda de gelo marinho, outro impacto sofrido pelos ursos polares é o aumento do tráfego marítimo nas águas árticas, bem como o aumento da contaminação por substâncias tóxicas de seus suprimentos alimentares e caça.
IstoÉ, SCMP, Euronews, Le Monde e CNN também noticiaram a mudança da dieta de ursos polares no Ártico.



