Governo suspende dragagem do Tapajós, mas indígenas mantêm protesto

Além da anulação do pregão, manifestantes exigem a revogação do decreto e a publicação dos atos no Diário Oficial.
8 de fevereiro de 2026
dragagem tapajós indígenas protesto
Reprodução Instagram (@citupi.amazonia, @pivide_kumaru, @alessandra_korap, @akaua_arapiun, @citabt e @vittiin_tupi)

Os indígenas que bloqueiam um terminal da Cargill em Santarém (PA) desde o último dia 22 decidiram manter a ocupação por tempo indeterminado, mesmo após a suspensão da licitação para contratação de empresa para a dragagem do rio Tapajós.

O movimento liderado por povos do Baixo Tapajós e apoiado por outras etnias de outras partes do rio, como os Munduruku e Kayapó, pede a revogação do decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA), além da revogação, o grupo também pede a anulação do pregão e a publicação dos atos no Diário Oficial.

O governo Lula selecionou uma empresa por R$ 61,8 milhões para a retirada de material em sete pontos do rio, entre Itaituba e Santarém, no Pará, sem antes obter a licença ambiental e sem protocolar um pedido com esse propósito, informa a Folha.

A licitação prevê a abertura de um canal de navegação entre Santarém e Itaituba para o escoamento de commodities agrícolas, mas não conta com Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) nem com Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). Sem estas duas etapas, não é possível identificar os impactos nem definir medidas de mitigação, informa a Agência Infra.

O governo esclareceu que as obras de dragagem anunciadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos são ações de rotina, com o objetivo de garantir a navegabilidade do rio durante o período de seca, e não estariam vinculadas aos estudos de concessão previstos no decreto, destaca o g1.

No entanto, a atividade não é tão inofensiva quanto alegado. Análises da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do governo do Pará, do ICMBio e do IBAMA apontam para impactos significativos decorrentes da dragagem do Tapajós.

Entre os impactos levantados estão a alteração da qualidade da água, assoreamento do leito do rio, prejuízos à pesca, alteração de rotas de transporte usadas por comunidades ribeirinhas e indígenas, risco de insegurança alimentar dessas comunidades e alteração dos ciclos de reprodução da tartaruga-da-amazônia, numa área que é a segunda maior em reprodução da espécie.

Já a investigação da Repórter Brasil mostra que a empresa que levou o pregão para realizar a dragagem no rio Tapajós acumula três autos de infração ambiental do IBAMA por irregularidades em obras desta atividade. As multas juntas somam R$ 1,9 milhão e ainda tramitam na esfera administrativa.

Na última 6ª feira (6/2), o governo federal anunciou três medidas: a suspensão do Pregão Eletrônico nº 90515/2025; a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial, com participação de representantes indígenas, para discutir os processos de consulta; e a apresentação de um cronograma para a realização da consulta livre, prévia e informada sobre a concessão da hidrovia.

Apesar do anúncio, as lideranças afirmaram que o movimento continuará até que as reivindicações sejam atendidas de forma concreta, com alterações formais no decreto.

Vero News, Diário do Centro do Mundo, Brasil de Fato, Revista Cenarium, UOL, ((o))eco e Agência Pública também falaram sobre a mobilização indígena na sede da Cargill.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar