Plano Clima não menciona fim dos combustíveis fósseis e faz agrado ao agro

Especialistas avaliam documento como "tímido" e alertam que, sem metas ambiciosas, plano não enfrentará as causas da crise climática.
8 de fevereiro de 2026
plano clima combustíveis fósseis agro
Imagem por Rawpixel

Divulgado na última 5ª feira (5/2) pelo governo federal, o Plano Clima foi classificado por entidades ambientalistas como “tímido” e de “baixa ambição” por não mencionar diretamente o fim dos combustíveis fósseis e por transferir parte da responsabilidade pelo combate ao desmatamento do agronegócio ao poder público.

Apesar de avanços importantes, como a inclusão da Justiça Climática como princípio orientador e transversal, o plano traz ambiguidade nas metas de redução de emissões até 2035. O setor da energia, por exemplo, prevê aumento de emissões, com falta de clareza sobre os caminhos para substituir os combustíveis fósseis, criticam Observatório do Clima (OC) e Greenpeace.

“O plano deveria excluir a exploração de combustíveis fósseis em áreas ambientalmente sensíveis, prever cronograma para eliminação de novos leilões de petróleo, parar com a geração de energia elétrica a partir do carvão mineral, prever redução substancial dos bilionários subsídios que o governo assegura aos combustíveis fósseis, entre outras medidas. Está longe disso”, analisa Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do OC, ao jornal O Globo.

No setor da agricultura, o agronegócio conseguiu reduzir as responsabilidades previstas no Código Florestal no combate ao desmatamento, analisa a especialista em Política Climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo. “Ao invés dos poluidores pagarem pelos impactos que provocam, o agro conseguiu o oposto: colocar a responsabilidade do combate ao desmatamento na conta do governo e receber incentivos que, no fim, serão custeados por todos nós”, afirma.

Para as entidades ambientalistas, é necessário que o plano esteja integrado a outras políticas públicas e ao mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis e ao mapa do caminho para zerar o desmatamento.

Como lembra o g1, o Plano Clima pode impactar diretamente o cotidiano da população, pois orienta políticas públicas voltadas à prevenção de desastres ambientais, à melhoria na infraestrutura urbana e à proteção de serviços essenciais.

Caso o Brasil não combata as mudanças climáticas com a seriedade necessária, o país pode perder até R$ 17,1 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB) até 2050, informa o Um Só Planeta. Além disso, há a possibilidade de perder 4,4 milhões de empregos em um cenário de falta de ação.

Envolverde e Projeto Colabora também trouxeram análises sobre o sumário executivo do Plano Clima.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar