
Até 2030, a demanda global por eletricidade deverá crescer no ritmo mais acelerado das últimas décadas, impulsionada pela eletrificação acelerada da indústria, dos transportes e da construção civil, pela rápida expansão dos data centers e pelo aumento da demanda por refrigeração. É o que mostra o relatório anual “Eletricidade 2026”, da Agência Internacional de Energia (IEA) sobre sistemas e mercados globais de energia elétrica.
O documento prevê um aumento médio de 3,6% na demanda elétrica global entre 2026 e 2030, adicionando aproximadamente 1.100 terawatts-hora (TWh) por ano – cerca de 50% a mais do que os acréscimos médios anuais registrados na última década, explica o Down to Earth. O consumo global de eletricidade deverá atingir 33.600 TWh em 2030, contra 28.200 TWh em 2025.
A IEA afirma que o mundo entrou em uma nova “Era da Eletricidade”, marcada por uma mudança estrutural na relação entre o consumo elétrico e o crescimento econômico. Em 2024, pela primeira vez em três décadas, fora de períodos de crise, a demanda global por eletricidade superou o crescimento da economia. Tendência que a agência prevê persistir até o final da década, visto que o consumo de eletricidade cresce pelo menos 2,5 vezes mais rápido do que a demanda total de energia.
Segundo o relatório, o mundo já ultrapassou o “pico do carvão”, mesmo com o enorme aumento esperado na demanda global de energia, destaca o Renew Economy. Contudo, a geração elétrica à base do combustível fóssil, embora esteja em leve declínio, deverá permanecer como a maior fonte individual de eletricidade globalmente em 2030, refletindo transições regionais desiguais.
Ainda do lado da oferta, a IEA prevê que as fontes renováveis e a energia nuclear atendam, em conjunto, a toda a demanda adicional global de eletricidade até 2030. Juntas, elas devem representar cerca de 50% da geração global de eletricidade até 2030, com a energia solar fotovoltaica liderando o crescimento.
Mas o relatório também prevê a expansão do gás fóssil na matriz elétrica global. O crescimento do uso desse combustível nos Estados Unidos e a contínua transição do petróleo para o gás como fonte de energia no Oriente Médio devem impulsionar o consumo global desse combustível fóssil em uma média de 2,6% até o final de 2030, de acordo com o Energy Now.com.
O documento ainda chama a atenção para os gargalos nas redes elétricas, que já travam mais de 2.500 gigawatts (GW) em projetos no mundo e vêm ampliando os níveis de curtailment (cortes de geração renovável), informa a Megawhat. Para a IEA, gargalos de conexão e limitações na infraestrutura de transmissão tornaram-se o principal desafio estrutural da transição elétrica, em um cenário de forte crescimento da demanda e de rápida expansão de fontes variáveis.
Business Green e PV-Tech também repercutiram o relatório da IEA.



