
Um El Niño pode se formar ainda este ano, prevêm a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Departamento de Meteorologia da Austrália. Se a previsão se tornar realidade, o fenômeno pode fazer com que 2027 registre temperaturas recordes, nos moldes do que ocorreu entre 2023 e 2024.
Especialistas disseram ao Guardian que há sinais de variação da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico que sugerem a formação do fenômeno, mas é cedo para qualquer certeza. De qualquer forma, modelos apontam para 50% a 60% de chances de El Niño no verão do Hemisfério Norte, informam Japan Times e Washington Post.
Além de temperaturas globais recordes, no Brasil o El Niño costuma provocar chuvas extremas no Sul e seca severa no Norte e Nordeste. O fenômeno ainda aumenta os riscos de incêndios florestais no Pantanal, devido à combinação de temperaturas mais altas e estiagem mais grave na região, destaca A Crítica.
Há também preocupação com a região central do país, que concentra os principais reservatórios hidrelétricos e sofre com chuvas irregulares e ondas de calor para além do habitual com o El Niño. Por isso, a possibilidade deixa o setor elétrico brasileiro em alerta, informa o Broadcast. Ainda mais porque as chuvas deste início de ano, ainda que mais intensas, não serão suficientes para suprir o déficit de precipitação que se arrasta desde outubro do ano passado.
Além de impactar os reservatórios, o calor excessivo provocado pelo El Niño pode ainda aumentar a demanda de energia. As projeções do Plano Anual da Operação Energética (PLAN 2026–2030) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve alcançar 85.067 megawatts médios (MWm) em 2026 – 4,6% mais do que o estimado para 2025, mostra a Agência INFRA.
A região Norte deve ter a maior expansão da demanda, com alta de 6,9%, impulsionada pela interligação de Roraima ao SIN e pelo retorno de grandes consumidores livres do setor de alumínio. Logo depois vem o Nordeste, com crescimento de 5,8%. Sudeste e Centro-Oeste devem registrar aumento de 4,5%.
Outro fator que deve puxar a demanda elétrica para cima é a presença cada vez maior de data centers no país. De acordo com o Cenário Energia, o segmento deve responder por acrescimento de 321 MW médios na demanda projetada para 2026. É um consumo equivalente a 1,5 milhão a 2 milhões de residências.
Em tempo: Especialistas estão mudando como identificam os fenômenos El Niño e La Niña. Até agora, eles comparavam a temperatura média da superfície de uma região especial do Pacífico leste com seu histórico. Uma temperatura acima do "normal" histórico indicava um El Niño e uma abaixo, uma La Niña. Só que, como em muitos outros indicadores, a mudança climática está aquecendo todos os oceanos. A comparação com médias passadas está fazendo soar alarmes de El Niño mais fortes do que os impactos que acabam gerando. A partir de agora, a comparação da temperatura da região especial será feita levando em conta a temperatura média da região tropical de todos os oceanos. Assim, o último El Niño foi associado à uma temperatura 2,1oC acima da média. Pela nova contabilidade, ele foi de fato menos forte porque a temperatura não passou de 1,5oC. É a mudança do clima mudando como medir a mudança do clima.



