Mudanças climáticas tornaram incêndios na Patagônia 3 vezes mais prováveis

Crise climática intensificou fogo que matou 23 no Chile e devastou florestas na Argentina com árvores de 3.000 anos, mostra análise da WWA.
11 de fevereiro de 2026
incendio patagonia
Reprodução/X @madorni

Incêndios florestais severos devastaram as encostas andinas do centro-sul do Chile e o norte da Patagônia argentina neste início de ano, afetando florestas nativas, parques nacionais e pequenas comunidades rurais e turísticas ao longo da fronteira entre os dois países. Uma análise da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, mostra que as mudanças climáticas tornaram as chamas até três vezes mais prováveis do que no período pré-industrial.

Segundo o estudo, o clima quente, seco e com ventos fortes que precedeu os incêndios no Chile tornou-se três vezes mais provável com o aquecimento do planeta, destaca o Carbon Brief. Na Patagônia argentina, que ainda enfrenta o fogo na província de Chubut, no sul do país, as condições climáticas extremas agora são 2,5 vezes mais prováveis, detalha a Folha.

Partes do Chile e da Argentina estão enfrentando verões significativamente mais secos, resultado das mudanças climáticas, explica o Guardian. A precipitação agora é 25% menor no início do verão no Chile e 20% menor na região afetada da Patagônia argentina, de acordo com a WWA.

Os incêndios florestais deste início de 2026 causaram a morte de 23 pessoas no Chile, desalojaram milhares de pessoas e destruíram vastas áreas de florestas nativas e pastagens nos dois países. Na Patagônia argentina, o fogo atingiu o Parque Nacional Los Alerces, patrimônio mundial da UNESCO e lar de antigas árvores de alerce que podem viver por mais de 3.000 anos.

Segundo Juan Antonio Rivera, do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet) da Argentina, 45 mil hectares já foram consumidos no país e outros 64 mil hectares no Chile. “A seca já começou no inverno, que é a estação chuvosa na região, com precipitações muito abaixo do normal”, lembra ele. Uma situação que persistiu durante a primavera e no início do verão.

“Nossa análise mostra uma clara e perigosa influência das mudanças climáticas nesses incêndios. Ao queimar combustíveis fósseis, essencialmente aumentamos as chances de ocorrência dessas chamas devastadoras”, reforça Clair Barnes, do Imperial College London, integrante da equipe da WWA.

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