Planeta está mais próximo de se tornar uma estufa do que se imagina

Cientistas afirmam que o mundo está muito perto de um ponto de inflexão após o qual o aquecimento global descontrolado não poderá ser contido.
13 de fevereiro de 2026
planeta estufa
PxHere

Se as emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas por atividades humanas continuarem como estão, a crise climática poderá condenar a Terra a uma trajetória de aquecimento global descontrolado, mesmo com uma posterior redução das emissões. O alerta foi feito por um grupo de cientistas em um artigo publicado na revista One Earth na 4a feira (11/2).

O aquecimento contínuo pode desencadear um ponto de inflexão climático que levaria a uma cascata de outros pontos de inflexão e ciclos de retroalimentação, afirma o estudo. Isso condenaria o mundo a um novo e infernal clima de “Terra estufa”, muito pior do que o aumento de temperatura de 2°C a 3°C sobre os níveis pré-industriais. Um clima muito diferente das condições dos últimos 11.000 anos, período durante o qual a civilização humana se desenvolveu, destaca o Guardian.

“O que normalmente levava milhares de anos agora está acontecendo em décadas”, reforça o autor principal do estudo, William Ripple, professor emérito de ecologia da Universidade Estadual do Oregon. “Estamos preocupados que os formuladores de políticas e o público ainda não estejam cientes disso”, completa.

A análise abrange 16 sistemas terrestres essenciais, incluindo oceanos, calotas polares e florestas, que provavelmente se desestabilizarão se o planeta continuar a aquecer, explica o Inside Climate News. Se grandes partes da Floresta Amazônica e dos recifes de coral tropicais morrerem, absorverão menos dióxido de carbono, desencadeando uma perigosa reação em cadeia de aquecimento.

“Enfrentar as diversas ameaças exige estruturas políticas mais robustas que acelerem a redução das emissões e integrem os riscos de pontos de inflexão no planejamento climático global. Além da redução rápida e drástica das emissões antropogênicas, abordagens inovadoras, como o monitoramento global coordenado de pontos de inflexão, avanços em modelos de alta resolução do sistema terrestre e governança antecipatória para gerenciar riscos em cascata, podem aprimorar nossa capacidade de detectar sinais de alerta precoce e evitar uma transição irreversível para um mundo com aquecimento global extremo. O combate às mudanças climáticas exige políticas resilientes à profunda incerteza e capazes de proteger o sistema terrestre contra consequências catastróficas”, conclui o artigo.

Jornal GGN, Euronews e Independent também repercutiram o estudo.

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