
Se as emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas por atividades humanas continuarem como estão, a crise climática poderá condenar a Terra a uma trajetória de aquecimento global descontrolado, mesmo com uma posterior redução das emissões. O alerta foi feito por um grupo de cientistas em um artigo publicado na revista One Earth na 4a feira (11/2).
O aquecimento contínuo pode desencadear um ponto de inflexão climático que levaria a uma cascata de outros pontos de inflexão e ciclos de retroalimentação, afirma o estudo. Isso condenaria o mundo a um novo e infernal clima de “Terra estufa”, muito pior do que o aumento de temperatura de 2°C a 3°C sobre os níveis pré-industriais. Um clima muito diferente das condições dos últimos 11.000 anos, período durante o qual a civilização humana se desenvolveu, destaca o Guardian.
“O que normalmente levava milhares de anos agora está acontecendo em décadas”, reforça o autor principal do estudo, William Ripple, professor emérito de ecologia da Universidade Estadual do Oregon. “Estamos preocupados que os formuladores de políticas e o público ainda não estejam cientes disso”, completa.
A análise abrange 16 sistemas terrestres essenciais, incluindo oceanos, calotas polares e florestas, que provavelmente se desestabilizarão se o planeta continuar a aquecer, explica o Inside Climate News. Se grandes partes da Floresta Amazônica e dos recifes de coral tropicais morrerem, absorverão menos dióxido de carbono, desencadeando uma perigosa reação em cadeia de aquecimento.
“Enfrentar as diversas ameaças exige estruturas políticas mais robustas que acelerem a redução das emissões e integrem os riscos de pontos de inflexão no planejamento climático global. Além da redução rápida e drástica das emissões antropogênicas, abordagens inovadoras, como o monitoramento global coordenado de pontos de inflexão, avanços em modelos de alta resolução do sistema terrestre e governança antecipatória para gerenciar riscos em cascata, podem aprimorar nossa capacidade de detectar sinais de alerta precoce e evitar uma transição irreversível para um mundo com aquecimento global extremo. O combate às mudanças climáticas exige políticas resilientes à profunda incerteza e capazes de proteger o sistema terrestre contra consequências catastróficas”, conclui o artigo.
Jornal GGN, Euronews e Independent também repercutiram o estudo.



