
A COP31 começou mal. Uma versão preliminar da Agenda de Ação da conferência do clima, que acontecerá na Turquia em novembro, elenca 14 temas prioritários para a cúpula. No entanto, o texto não faz qualquer menção aos combustíveis fósseis, informa o Guardian.
O documento menciona a transição energética. No entanto, não cita a necessidade de adotar medidas para abrir mão de petróleo, gás fóssil e carvão, cuja queima é a principal fonte de gases de efeito estufa e, portanto, a maior causadora das mudanças climáticas, lembra a Folha.
Murat Kurum, ministro do Meio Ambiente da Turquia e copresidente da COP31 – o evento também é presidido pela Austrália -, alertou os países de que a flexibilidade na implementação das metas climáticas “agora é zero”. Mas, quando questionado sobre a dependência da Turquia de combustíveis fósseis, afirmou que os esforços para reduzir as emissões no país, que depende fortemente do carvão, não devem ocorrer às custas do crescimento econômico, destaca o Climate Home.
A declaração de Kurum foi feita em Istambul na semana passada, após uma primeira reunião estratégica com autoridades australianas. O encontro contou ainda com a presença de André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e de Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Dias antes do encontro prévio à COP31 em Istambul, a estatal petrolífera Turkish Petroleum assinou novos acordos de exploração de petróleo e gás fóssil com as estadunidenses Chevron e ExxonMobil. O país tem registrado recordes na instalação de energia eólica e solar, mas especialistas alertam que a Turquia não está aproveitando seu enorme potencial de energias renováveis. Em vez disso, continua a subsidiar fortemente a energia a carvão.
A ausência dos combustíveis fósseis na agenda da COP31 e a justificativa turca, pra lá de furada, não passaram incólumes por Simon Stiell. O chefe da Convenção do Clima da ONU afirmou que estratégias de segurança nacional que não levam em conta a crise climática são “perigosamente limitadas” e deixarão os países vulneráveis a “uma nova desordem mundial”, destaca a CNN Brasil.
“A cooperação climática é um antídoto para o caos e a coerção deste momento, e a energia limpa é a solução óbvia para os custos exorbitantes dos combustíveis fósseis. As energias renováveis são o caminho mais claro e barato para a segurança e soberania energética, protegendo países e economias dos choques desencadeados por guerras, turbulências comerciais e a política do ‘a força faz o direito’, que empobrece todas as nações”, reforçou.
Mas, se o comando turco da COP31 faz vista grossa aos combustíveis fósseis, a copresidência australiana se movimenta na direção contrária. Chris Bowen, ministro de Mudanças Climáticas e Energia do país da Oceania, quer usar sua posição à frente da conferência do clima deste ano para pressionar a Arábia Saudita e outros petroestados a pararem de bloquear o progresso nas cúpulas da ONU.
Segundo o Guardian, a fala de Bowen segue um apelo direto do ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, para que a Austrália pressione ativamente os maiores emissores mundiais – incluindo China, Rússia, EUA e Índia – a desenvolverem um plano para se afastarem dos combustíveis fósseis.
Em tempo: Depois de dias de reuniões na Europa, a presidência brasileira da COP30 rumou para a Índia para a Mumbai Climate Week, nesta semana. A presidência da COP30 coorganizará a sessão “Road from COP30: Connecting Mumbai to Global Climate Action”, informam a Agência Brasil e a Revista Cenarium. Realizado em parceria com os Campeões Climáticos de Alto Nível, o Project Mumbai e a Mumbai Climate Week, o painel destacará iniciativas de alto impacto lançadas em Belém que têm impulsionado a ação climática na Índia.



