Obsessão de Trump por Groenlândia e Venezuela contradiz discurso negacionista climático

Ações do presidente dos Estados Unidos contradizem sua narrativa costumeira de que as mudanças climáticas são falsas.
25 de fevereiro de 2026
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Jensbn

Ao mesmo tempo em que chama as mudanças climáticas de “o maior golpe feito no mundo”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá passos geopolíticos que, segundo especialistas ouvidos pela Folha, só fazem sentido em um mundo mais quente. Logo, chamá-lo de “negacionista” é mais do que um reducionismo. É um equívoco.

A obsessão do “agente laranja” pela Groenlândia é o exemplo mais recente. Com o degelo acelerado do Ártico, a região virou alvo de uma “corrida do ouro” moderna. As rotas marítimas estão se tornando mais navegáveis, e a Rússia, principal potência ártica, vem realizando investimentos no Mar do Norte.

“Trump entende que pode estar acontecendo essa história de derretimento de gelo porque todo mundo quer alguma coisa [na região]. E ele tem essa postura de querer ser sempre o primeiro da corrida”, avalia Karina Spohr, professora da London School of Economics and Political Science e especialista em política ártica.

Além disso, a Groenlândia é considerada uma possível grande fornecedora de terras raras. Apenas uma pequena parte desse material é passível de exploração atualmente, mas há expectativa de que a extração se torne mais fácil com as mudanças climáticas. “O fato de ter menos cobertura de neve no inverno torna as operações, de fato, mais simples, com toda a logística facilitada”, explica Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.

Já na Venezuela, a captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, teve entre seus objetivos declarados permitir a exploração do petróleo local pelos EUA. Embora a fixação de Trump com combustíveis fósseis possa parecer, à primeira vista, uma manifestação clássica de negacionismo, Angelo mostra que se trata de um equívoco.

Ao ampliar a oferta de petróleo no mercado e, portanto, baratear o produto, o “agente laranja” mantém a indústria estadunidense competitiva frente às fontes renováveis, que hoje são mais baratas e puxadas pela China. “Os EUA querem quebrar a competição com a China vendendo e impondo ao máximo de países que conseguirem uma tecnologia ultrapassada”, diz o especialista do OC. “Isso em si já é outra admissão de que existe mudança climática”, afirma.

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