
Desde sábado (28/2), quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma onda de ataques contra o Irã – que continua revidando e bombardeando países vizinhos aliados aos estadunidenses -, o mercado mundial de petróleo está em polvorosa. Os preços da commodity continuam escalando, o que ameaça economias de países dependentes de importação – principalmente dos mais pobres – e coloca em xeque definitivamente a suposta “segurança energética” propagandeada pelos defensores da exploração do combustível fóssil “até a última gota”.
Por volta das 15h (de Brasília) de ontem (5/3), o barril do Brent para maio subia perto de 3,9%, em torno de US$ 84,50 por barril, após renovar máximas intradiárias ao longo da sessão e chegar a ser negociado a US$ 85,70 – o maior valor desde julho de 2024, destaca a Folha. Já o petróleo WTI, dos EUA, para abril avançava cerca de 6,7%, negociado próximo de US$ 79,70, segundo o E-Investidor.
A nova elevação dos preços foi motivada por uma informação da agência de notícias iraniana Tasnim de que um petroleiro estadunidense no Golfo Pérsico foi atingido por um míssil lançado por forças do Irã, informa o Guardian. De acordo com a CNN Brasil, um míssil iraniano também atingiu uma refinaria de petróleo no Bahrein. Apesar disso, o governo do país informou que não houve feridos e que a planta continuava operando normalmente.
O mercado de gás fóssil também vem sendo duramente afetado pela guerra. Um dos maiores produtores – e exportadores – da versão liquefeita (GNL) da commodity, o Catar paralisou suas operações após sofrer ataques iranianos. O conflito ainda fez o custo do transporte marítimo de GNL disparar, com as taxas diárias de afretamento de navios metaneiros subindo de US$ 40.000 (R$ 211.000) na semana passada para cerca de US$ 300.000 (R$ 1,5 milhão), à medida que os operadores se apressam para garantir embarcações, explica o Oilprice.com.
A volatilidade atinge em cheio os países em desenvolvimento que dependem de importar esses combustíveis fósseis. O Brasil, embora seja exportador líquido de petróleo, ainda precisa importar gasolina e óleo diesel por limitações no refino. E os preços dos dois derivados também subiram. Se o conflito no Oriente Médio se estender, será inevitável a Petrobras reajustar seus preços. O que provocará um efeito cascata e aumento da inflação, doendo diretamente no bolso da população brasileira.
Portanto, a crise no mercado de petróleo e gás fóssil reforça os apelos de se acelerar a transição energética global rumo a fontes renováveis de energia, destaca o Climate Home. Analistas de energia e políticos reiteram que o impacto da guerra no Irã nos preços dos combustíveis fósseis demonstra que as energias renováveis são o verdadeiro caminho para a segurança energética, com produção local de energia.
Guardian, Al Jazeera e eixos também repercutiram o efeito da guerra no Irã sobre o mercado de combustíveis fósseis.



