Nos EUA, aves entram em rápido declínio em áreas de agricultura intensiva

Quedas na população de aves foram mais acentuadas em áreas quentes e em aquecimento, indicando o papel das mudanças climáticas no declínio.
9 de março de 2026
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Syed Redwan Hoque

As aves nos Estados Unidos e em outras áreas da América do Norte não estão apenas em declínio, mas em queda mais acelerada, especialmente em áreas de agricultura intensiva. As quedas gerais na população de aves, medidas de 1987 a 2021, foram mais acentuadas em áreas quentes e sob aquecimento, sugerindo que as mudanças climáticas podem ter um papel nesse cenário.

As conclusões são de um estudo publicado na revista Science e repercutidas por New York Times, Folha, LA Times e Live Science. A pesquisa mostra apenas correlação com a agricultura intensiva e a temperatura, não causalidade.

O levantamento não considera outras circunstâncias que podem estar afetando as aves ao longo das rotas migratórias ou durante a invernada. Mas soma-se a um conjunto cada vez mais robusto de evidências de que as aves – entre os animais mais bem monitorados do planeta e indicadores da saúde de outras espécies – não estão bem.

Para analisar as taxas de declínio, a pesquisa analisou 1.033 rotas que ofereciam contagens anuais ou quase anuais, e incluiu 261 espécies de aves. Os pesquisadores verificaram que cada rota tinha, em média, 2.034 aves em 1987. Trinta anos depois, em 2017, essa média caiu para 304 aves por rota, ou 15%.

As perdas mais acentuadas foram observadas na Flórida, no Texas, na Louisiana e no Arizona. De modo geral, elas se correlacionaram com lugares quentes e, em menor grau, com lugares que registraram aumento de temperatura nos últimos 30 anos. Quando a pesquisa analisou e mapeou as taxas de declínio, pontos críticos de aceleração se destacaram na Califórnia, no centro-oeste e na região do Atlântico Médio.

Os pesquisadores, então, decidiram adicionar análises mais aprofundadas, recorrendo à modelagem estatística para identificar associações. Entre 20 métricas, eles analisaram o uso de fertilizantes, o uso de pesticidas e a área de terras cultivadas. “O que descobrimos é que qualquer métrica de intensidade agrícola era sempre o melhor preditor de aceleração do declínio”, afirmam.

Apesar das indicações, os próprios autores e cientistas que não participaram do trabalho enfatizaram que mais estudos são necessários para se determinar o que realmente está causando as perdas na população de aves na América do Norte.

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