Petróleo encosta em US$ 120 e choque já afeta mercado de diesel no Brasil

Produtores agrícolas do RS reclamam da falta de combustível e do aumento de preços, que também já são sentidos em outros cinco estados e no DF.
10 de março de 2026
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Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã continua pressionando os preços do petróleo e fazendo a alegria de especuladores. O barril do petróleo tipo Brent, uma das referências do mercado, chegou próximo de US$ 120 na 2ª feira (9/3) – valor que não era atingido desde os choques do petróleo dos anos 1970 e 1980. Além da escalada de preços, dificuldades logísticas – também provocadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, assim como as cotações da commodity – afetam o transporte do óleo cru e de derivados, o que já vem sendo sentido no Brasil, que é exportador líquido de petróleo, mas importa óleo diesel e gasolina. O contexto reforça nosso constante alerta: segurança energética com petróleo não existe.

Desde o fim de semana, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) vem recebendo reclamações recorrentes dos produtores do estado sobre a falta de diesel – combustível fóssil usado por tratores e caminhões -, o que está atrasando a colheita da safra de verão, especialmente de arroz e soja, informa o Estadão. “O atraso no trabalho (colheita) faz com que as lavouras fiquem expostas às intempéries em um estado que já vem sofrendo volumoso prejuízo pelo acúmulo de perdas em razão de eventos climáticos, impactando toda a economia gaúcha”, diz a nota da entidade.

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) confirmou o problema. Em nota, a associação acrescentou que o diesel sofreu um aumento superior a R$ 1,20 por litro nos últimos dias. “Esse cenário pressiona a rentabilidade da atividade em diferentes regiões produtoras do estado”, diz.

O aumento do preço do diesel não está restrito ao Rio Grande do Sul. Um levantamento do Metrópoles com entidades de postos de combustíveis aponta que as distribuidoras já elevaram o preço do produto entregue aos estabelecimentos. Há locais onde o diesel foi entregue com acréscimo de até R$ 0,80.

O Metrópoles contactou estabelecimentos de 26 estados e recebeu respostas de 8 unidades da federação. O sindicato do Distrito Federal já havia comunicado a elevação dos preços na última 4ª feira (4/3). Também apontaram aumento do diesel instituições dos estados da Bahia, Goiás, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte, além do Rio Grande do Sul.

A maior elevação do preço do óleo diesel antes do fim de semana foi relatada na Bahia, onde a única refinaria do estado, Mataripe (ex-RLAM), foi vendida pela Petrobras em novembro de 2021 para a Acelen. O Sindicombustíveis informou que uma distribuidora aumentou o valor do litro do diesel em R$ 0,80 e, no caso da gasolina, em R$ 0,30.

O Rio Grande do Sul é abastecido principalmente pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras. A estatal – que ainda não reajustou os preços de diesel e gasolina, apesar da escalada dos valores no mercado internacional – afirma que as entregas de diesel na unidade estão sendo realizadas dentro do volume programado, sem qualquer alteração, segundo a eixos

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) também disse que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pela Refap. Além disso, segundo a ANP, a região dispõe de estoques para assegurar o abastecimento. Informação confirmada por importadores do combustível, que afirmam que não há registro de falta de diesel e que o principal ponto de importação na região, o Porto do Paranaguá (PR), está com os tanques cheios.

  • Em tempo: Previsto para entrar em vigor em 1º de março, o aumento da adição de biodiesel no diesel fóssil, de 15% para 16%, está emperrado, informa a Folha. A medida ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME). Com a guerra no Irã, parlamentares ligados ao agronegócio cobram o governo federal. O temor é que o preço dos combustíveis dispare em todo o mundo. Como o diesel é usado por caminhões, o principal transporte de carga do país, o atraso no aumento da mistura com o preço do combustível fóssil em disparada poderá elevar a inflação.

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