
O aquecimento global tem tornado atividades cotidianas como varrer a varanda e passear com o cachorro perigosas para um terço da população mundial. É o que mostra um estudo liderado por cientistas da The Nature Conservancy (TNC) e publicado na revista Environmental Research: Health na 3ª feira (10/3).
Segundo a pesquisa, que analisa os riscos do aumento da temperatura sobre a capacidade social e fisiológica de adaptação, o número de dias com calor extremo dobrou desde os anos 1950 – portanto, nos últimos 75 anos. As limitações são maiores para os idosos, que têm menor capacidade de transpirar e, portanto, de controlar a temperatura corporal. Em algumas regiões tropicais e subtropicais, o calor extremo restringe as atividades ao ar livre de idosos entre um quarto e um terço do ano, contam Bloomberg e Phys.
Como já é sabido, os mais afetados são a população mais pobre em países e regiões em desenvolvimento. Em vez de se protegerem e amenizarem os efeitos do calor com ar condicionado ou outros bens que dependem de recursos para sua aquisição, estão expostos a, por exemplo, níveis de radiação solar em canteiros de obras ou outros trabalhos ao ar livre.
Os desafios mais severos são encontrados no sudoeste da Ásia (Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Omã), no sul da Ásia (Paquistão, Bangladesh, Índia) e em partes da África Ocidental (Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Senegal, Djibuti e Níger), lista o Guardian. Na América do Sul, o maior risco é para as pessoas que vivem na Bacia Amazônica.
A curto prazo, investimento em sistemas de alerta de calor, infraestrutura de refrigeração e proteção para idosos e trabalhadores ao ar livre são importantes. Mas os investimentos locais não substituem a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, que causam as mudanças climáticas, destaca o TBS News.
“Cada fração de grau de aquecimento adicional ampliará esses impactos. [O ano de] 2024 nos deu uma prévia preocupante de como um mundo com 1,5°C [acima dos níveis pré-industriais] poderia ser, e isso deve fortalecer nossa determinação coletiva de evitar 2°C ou mais”, afirmou Luke Parsons, autor principal do artigo.



