
“Se preparem para o petróleo a US$ 200 (R$ 1.039) o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”. A fala é do porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari, após três navios terem sido atacados no Golfo Pérsico na 4ª feira (11/3).
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desencadeou a maior interrupção no fornecimento do combustível fóssil desde os choques do petróleo na década de 1970. Não há qualquer sinal de que navios possam navegar com segurança no Estreito de Ormuz, por onde normalmente trafega 20% do petróleo do mundo, segundo o UOL. E com o conflito a toda, a escalada das cotações da commodity continua assombrando os países (leia acima).
Na 2ª feira (9/3), o Brent chegou a quase US$ 120 (R$ 623). No dia seguinte, os EUA anunciaram que haviam afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região, e Donald Trump afirmou que o conflito chegaria ao fim em breve. O valor do Brent caiu para US$ 90 (R$ 467), com forte oscilação.
Mas ontem, tanto Israel quanto o Irã foram na mão contrária ao discurso do “agente laranja”. De um lado, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o conflito continuará “sem qualquer limite de tempo”; de outro, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que lutará “até a sombra da guerra ser levantada”, informa a Folha. Por isso, alguns analistas avaliam que o petróleo pode chegar a US$ 150 até o fim de março.
Vários países exportadores de petróleo do Oriente Médio interromperam a produção devido às ameaças no Estreito de Ormuz, destaca a CNN Brasil. A petrolífera Saudi Aramco, da Arábia Saudita, afirmou que o prolongamento da guerra pode levar a uma “tragédia”, enquanto o petroestado, que escoa boa parte de sua produção por Ormuz, tenta ampliar o funcionamento dos oleodutos rumo ao Mar Vermelho.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirma na Veja que o impacto no petróleo não deve desaparecer rapidamente, mesmo que haja um cessar-fogo. Segundo o especialista, parte relevante da infraestrutura de produção e escoamento dos países produtores do Oriente Médio já foi danificada, e a cadeia de produção não se recomporá rapidamente. Recuperar campos, refinarias ou rotas de transporte pode levar meses ou até anos.
Nesse período, o mercado deverá operar com preços mais elevados. Em algumas rotas, por exemplo, o frete do barril chegou a subir dez vezes, passando de cerca de US$ 2,50 para até US$ 20.
Global News, Forbes e Reuters também repercutiram o aumento do preço do petróleo com a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã.



