#ClimaInfo, 20 de setembro de 2017

ClimaInfo mudanças climáticas

TEMER NA ONU FALA DO QUE NÃO FEZ E DEFENDE O QUE NÃO FAZ

Na abertura da assembléia anual da ONU desta terça (19), o presidente Michel Temer afirmou que o Brasil reduziu mais de 20% do desmatamento na Amazônia relativo a um período anterior ao seu. Curiosamente, é a primeira vez que um presidente cita um dado que veio dos boletins do Imazon. A BBC foi falar com o pessoal do Imazon sobre a temerária citação. Os pesquisadores avisaram que os dados indicam uma tendência de redução do desmatamento e, além de não serem os dados oficiais, nas palavras de Paulo Barreto, “parece que o presidente está comparando dados oficiais do ano passado com os nossos de agora, sendo que as metodologias são totalmente diferentes”.

No discurso, Temer também condenou o protecionismo e pregou a abertura dos mercados, omitindo que está para assinar uma sobretaxa para o etanol americano, além de manter como está a obrigação de conteúdo nacional, de manter o mercado fechado à engenharia internacional e por aí vai.

A gente já sabe que as mãozinhas não resistem a um bom palco e nada como cantar o que a platéia quer ouvir.

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41318365

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41327981

http://www.valor.com.br/brasil/5124906/reformas-economicas-vao-abrir-brasil-para-o-mundo-diz-temer-na-onu#

 

MACRON CONVIDA MARINA SILVA PARA  DEBATER ‘PACTO MUNDIAL PELO MEIO AMBIENTE’ NA ONU

O presidente da França, Emmanuel Macron, convidou a ex-senadora Marina Silva para participar de um debate em Nova York, nesta terça-feira (19), durante a 72a sessão da Assembleia Geral da ONU. A pauta do encontro é a elaboração de um pacto mundial para o meio ambiente. Marina embarcou nesta manhã para os Estados Unidos. Macron fará um contraponto à agenda do presidente dos EUA, Donald Trump, defendendo o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

http://painel.blogfolha.uol.com.br/2017/09/19/macron-convida-marina-silva-para-debater-pacto-mundial-pelo-meio-ambiente-na-onu/

 

GOVERNO DIZ QUE A EXTINÇÃO DA RENCA NÃO ESTÁ EXTINTA

O Valor publicou uma entrevista com Vicente Lôbo, o secretário de geologia do ministério de minas e energia, o responsável pelo decreto de extinção da Renca. Segundo o jornalista Claudio Angelo, correto seria se referir a ele como “ex-diretor da Vale lotado no ministério”. Lôbo voltou a dizer que nenhuma área de preservação ou terra indígena será afetada e que na verdade só 20% da área (do tamanho da Dinamarca) será aberta a projetos de mineração. Ele aproveitou para defender as recentes mudanças do código da mineração, que estão sendo criticadas pelas mineradoras por terem aumentado seus custos com os novos valores da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem). As mineradoras devem estar com inveja da bancada ruralista que consegue arrancar bilhões e mais bilhões do Tesouro na forma de subsídios, isenções e anistias.

Por falar em Renca, a Folha de S.Paulo mandou Fabiano Masionnave e Lalo de Almeida até lá para falar com garimpeiros que, segundo o Serviço Geológico Brasileiro, seriam uns dois mil. As condições quase que primitivas de trabalho não permitem que os garimpeiros encontrem as sonhadas reservas das grandes mineradoras. Atrás do pouco ouro de aluvião, o pessoal é o remanescente de outra época e, agora, com idade de 50 anos, o impacto que está causando é pequeno. Os dois enviados descobriram que esse ano, os garimpeiros estão mais ativos na extração da castanha do que no minério.

http://mobile.valor.com.br/empresas/5124046/governo-federal-vai-insistir-na-abertura-da-renca?

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1919675-apesar-de-garimpo-renca-tem-pouca-area-desmatada.shtml

 

PRIMEIRO REGISTRO SONORO DO GAVIÃO REAL NAS MATAS DE PERUÍBE

O biólogo e ornitólogo Bruno Lima divulgou um registro feito em 2012 de um raríssimo gavião-real ou harpia, um dos pássaros maiores e mais fortes das matas brasileiras e seriamente ameaçado de extinção. O local do registro fica muito perto de onde a Gastrade pretende instalar uma enorme usina termelétrica a gás natural. A qual, aliás, foi o motivo que levou Bruno a divulgar a gravação e o estudo que fez das aves que vivem naquele pedaço da Serra do Mar. Os sons podem ser ouvidos no site abaixo.

A harpia caça bichos como macacos e preguiças e ataca galinheiros de sitiantes. Está ameaçada de extinção por conta da destruição das matas que abrigavam macacos e preguiças, base da sua alimentação. A usina pode alavancar ainda mais destruição, inclusive de uma das mais belas e impressionantes aves que voam por essas bandas.

http://editorialivre.com.br/harpia-gaviao-ameacado-de-extincao-e-gravado-na-area-a-ser-destruida-pela-termoeletrica/

 

O BOLERO DE PARIS: TRUMP CONTINUA DANDO UM PASSO PARA CADA LADO

No domingo, o Secretário de Estado Rex Tillerson e o Assessor de Segurança Nacional McMaster disseram que os EUA estão abertos a negociações sobre a permanência no Acordo de Paris. Isso na sequência da Ministra do Meio Ambiente do Canadá dizer que Trump tinha dado a mesma deixa. Muito rapidamente, gente da Casa Branca desmentiu a Ministra dizendo que era claríssimo que Trump tinha tirado os EUA do Acordo. Ontem, o conselheiro mor de economia de Trump, o Wall Street boy Gary Cohn, disse na ONU que os EUA não mudaram de plano e que vão sair de Paris, não pelo menos sem uma negociação que seja claramente favorável aos EUA. Coisa que os países da Convenção do Clima não estão nada dispostos a fazer. Em todo caso, essas notícias na mídia internacional deixaram de aparecer no topo das páginas.

https://www.theguardian.com/environment/2017/sep/18/donald-trump-gary-cohn-paris-climate-agreement-united-nations

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2017/09/19/138764-assessor-economico-de-trump-reafirma-posicao-dos-eua-sobre-acordo-do-clima-de-paris.html

https://www.theguardian.com/environment/2017/sep/17/trump-tillerson-mcmaster-paris-climate-accord-stay-in

 

JEFFREY SACHS AVISA QUE O TEMPO DAS PETROLEIRAS ESTÁ SE ESGOTANDO

Jeffrey Sachs, da Columbia University, escreveu um artigo duro na CNN avisando investidores, em especial dos fundos de pensão, que estão correndo um sério risco ao manter em seus portfólios ações de empresas fósseis. O grande risco, segundo Sachs, virá até antes do mundo abandonar o petróleo. Virá na forma de processos judiciais, na linha dos ataques sofridos pela indústria do tabaco. Ele tece uma longa consideração sobre a ciência da atribuição de eventos à mudança do clima, na esteira de furacões no Caribe e no Golfo do México. E diz que os esforços da Exxon e dos irmãos Koch para atacar a ciência e cientistas climáticos e promover sua agenda de negação e manipulação vão, em breve, pesar contra eles nos tribunais mundo afora.

http://edition.cnn.com/2017/09/15/opinions/climate-justice-is-coming-sachs/index.html

 

AUMENTA O NÚMERO DE FAMINTOS, PELA PRIMEIRA VEZ NO SÉCULO

Entre 2015 e 2016, o mundo viu quase 40 milhões passarem para baixo da linha da fome, quebrando uma sequência de dez anos na qual o número de famintos foi diminuindo. Nas contas da ONU, em 2016 havia 815 milhões de pessoas vivendo em situação de subnutrição, 11% da população mundial. Encabeçam a lista, os países de sempre, onde os conflitos continuam a acontecer: Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria. O El Niño de 2015 contribuiu com secas e enchentes para reduzir a produção de alimentos na África subsaariana.

Sobrepor o mapa da fome na África com uma foto da Nasa de focos de incêndio é chocante. No link da NASA mencionado no fim desta nota, na foto do satélite Suomi NPP, que é equipado com um Conjunto de Radiômetros de Imagens no Infravermelho e no Visível (VIIRS, em inglês), a localização, a dispersão e a quantidade de incêndios indicam que estes são propositais e usados nas práticas agrícolas locais.

Logo abaixo, o mesmo mostra uma que toma a área entre Mato Grosso, Tocantins e sul do Pará. No período seco, além dos incêndios comuns no Cerrado, aparecem sempre muitos outros provocados por proprietários que “limpam” uma nova ou velha área. A diferença é que aqui não há fome em escala africana e boa parte dos incêndios acontece nas grandes propriedades.

https://www.theguardian.com/global-development/2017/sep/15/alarm-bells-we-cannot-ignore-world-hunger-rising-for-first-time-this-century

https://www.nasa.gov/image-feature/goddard/2017/fires-spread-across-central-africa

 

CIDADE JAPONESA É RECONSTRUÍDA PARA NÃO DEPENDER DO SISTEMA ELÉTRICO CENTRALIZADO

A cidade de Higashi-Matsushima foi destruída pelo Tsunami de 2011 e, na sua reconstrução, os moradores decidiram pela construção de minirredes elétricas e um sistema descentralizado de geração capaz de suprir 25% da demanda da cidade. Geradores a gás natural, placas fotovoltaicas e turbinas eólicas são gerenciadas por um sistema que está conectado via internet aos medidores residenciais e comerciais. A cidade está usando o fundo federal de reconstrução para depender menos das grandes usinas centralizadas e acaba de instalar um sistema de baterias que armazena até três dias de demanda média da cidade.

http://www.reuters.com/article/us-japan-energy-revolution/quiet-energy-revolution-underway-in-japan-as-dozens-of-towns-go-off-the-grid-idUSKCN1BU0UT

 

ARTIGOS SOBRE A ATRIBUIÇÃO DE EVENTOS EXTREMOS À MUDANÇA DO CLIMA

Andrew Gage, no West Coast Environmental Law Comment Policy, indica uma série artigos a serem lidos sobre:

– Modelagem científica para correlacionar, ou atribuir, padrões meteorológicos com a mudança do clima e até mesmo às emissões de certos grupos de corporações de combustíveis fósseis (links para sete artigos);

– Os esforços da Exxon para enganar o público quanto à ciência climática (dois artigos); e

– Os caminhos por onde os processos legais podem evoluir por meio de novas legislação e jurisprudência no campo da compensação climática (dois artigos).

Vale conferir em: https://www.wcel.org/blog/summer-reading-climate-accountability-whodunit

 

COISAS DE ARQUITETOS: BLOCO DE VIDRO  FOTOVOLTAICO E CONES DE ARGILA REFRESCANTES

A inglesa Build Solar desenvolveu um bloco de vidro transparente que tem células fotovoltaicas embutidas. O bloco é cheio de reentrâncias de modo que quase toda a luz passa através do bloco e clareia o ambiente. Uma fração da luz é convertida em eletricidade pelas células fotovoltaicas. Sendo de vidro, o bloco é excelente isolante térmico para lugares mais frios. A ideia nasceu na Universidade de Exeter e o produto deve começar a ser comercializado no ano que vem.

Outro pessoal na Índia empilhou um conjunto de tubos cônicos curtos de cerâmica na horizontal dentro de uma estrutura aberta fazendo uma parede e fez correr água fria por esta. A superfície dos tubos serve como trocador de calor entre o ar quente e a água fria. Colocaram a pilha encostada a um sistema de médio porte de circulação de ar. O ar entrou nos tubos a 50°C e foi resfriado até 36°C. Ao invés de gastar eletricidade em compressores, uma pequena parte desta é usada para bombear água fria pelos tubos.

https://www.buildsolar.co.uk/

http://emps.exeter.ac.uk/news-events/news/title_602131_en.html

http://www.archdaily.com.br/br/879865/cones-de-argila-funcionam-como-um-ar-condicionado-sem-energia-eletrica

Caso queira receber o ClimaInfo por email, escreva para climainfo@avivcomunicacao.com.br