ClimaInfo, 24 de outubro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

AUMENTAM MORTES, DESMATAMENTO E INCÊNDIOS NA AMAZÔNIA

Esperamos que seja uma percepção equivocada, mas aparentemente o ataque à Amazônia está pegando embalo. Na última semana, dois índios e um líder camponês foram assassinados. O Ibama e o ICMBio tiveram operações atacadas no final de semana. E o Greenpeace relatou à jornalista Giovana Girardi ter encontrado vários focos de incêndio no sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia, apesar da temporada de incêndios estar praticamente no fim. Vários destes focos foram encontrados em terras indígenas e em áreas públicas protegidas. Além disso, o ISA mostra que, ao longo deste ano, mais de 1.000 km2 de floresta foram destruídas só na bacia do Rio Xingu. O Instituto aponta como causa “a pressão por novas áreas para a expansão agropecuária, grilagem de terras, retirada ilegal de madeira e a expansão do garimpo”. O boletim do ISA traz fotos impressionantes de garimpos atuantes na Terra Indígena do povo Kayapó.

https://reporterbrasil.org.br/2018/10/tres-assassinatos-em-tres-dias-campo-revive-escalada-de-violencia

https://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/ambiente-se/sul-do-amazonas-acre-e-rondonia-em-chamas

https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-xingu/em-2018-150-milhoes-de-arvores-foram-derrubadas-no-xingu-e-o-ano-nao-acabou

 

PESQUISADORES ESCREVEM CARTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Mais de 600 pesquisadores brasileiros assinaram uma carta em defesa da democracia. A carta tece críticas a várias declarações de Bolsonaro e aos indícios de políticas que pensa adotar. “Os regimes autoritários muito frequentemente instrumentalizam a ciência para fins contrários aos interesses da sociedade. A boa ciência necessita da crítica e do contraditório, do reconhecimento das diferenças e do respeito a opiniões divergentes, todas características que somente podem florescer em ambiente democrático… (a ciência) passa pela garantia da manutenção das liberdades, dos direitos humanos, pela pluralidade de ideias, pela eliminação da intimidação, da discriminação e da tortura, e pela oposição a qualquer tipo de violência, qualquer que seja sua motivação (étnica, de gênero, sexualidade, posição política ou qualquer outra).”

A respeito da carta, o Observatório do Clima cunhou o termo “Bolsocalipse na Amazônia”.

http://www.observatoriodoclima.eco.br/cientistas-alertam-para-risco-de-bolsocalipse-na-amazonia

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/10/mais-de-600-pesquisadores-assinam-manifesto-pela-democracia.shtml

https://controle.revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2018/10/cientistas-pela-democracia-22-10-2018.pdf

 

PESQUISADORES DO INPE ESTIMAM QUE BOLSONARO PODE TRIPLICAR O DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA

As declarações da campanha de Bolsonaro que sinalizam o enfraquecimento da proteção ambiental e o avanço sobre áreas protegidas foram usadas por pesquisadores do INPE para simular o que aconteceria com as taxas de desmatamento se estes sinais se efetivassem. O resultado surpreende pelo tamanho: se no ano passado foram desmatados quase 7 mil km², o modelo prevê que, em 2020, a área desmatada pode subir para 26 mil km², e seguir subindo. Este seria o segundo pior desmatamento anual. O pico registrado de desmatamento aconteceu em 2004, quando a floresta perdeu quase 28 mil km². O trabalho partiu dos estudos feitos pelo grupo ao redor da efetiva aplicação do Código Florestal ou de seu completo descumprimento.

https://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/ambiente-se/cientistas-estimam-que-desmatamento-da-amazonia-pode-triplicar-em-cenario-bolsonaro

https://news.mongabay.com/2018/10/fate-of-the-amazon-is-on-the-ballot-in-brazils-presidential-election-commentary/

 

A AMAZÔNIA MERECE UMA LAVA-JATO PARA COMBATER DESMANDOS

Artigo do jornalista Alexandre Mansur faz um paralelo entre a corrupção desvendada pela Lava-Jato e os crimes praticados pela disputa pela terra na Amazônia. Mansur toma os resultados de uma pesquisa realizada recentemente sobre as atitudes dos brasileiros em relação à temas socioambientais ligados à região. A primeira constatação é quase que esperada – o brasileiro reconhece a importância da região e que esta é merecedora de proteção e atenção. Também entende que não é preciso sacrificar a floresta em nome do desenvolvimento, como muita gente apregoa. Importante foi descobrir que os brasileiros “associam a apropriação de terra pública com desvio ético. Para eles, é o mesmo que o roubo e a corrupção que gerou horror nos escândalos revelados pela operação Lava-Jato. Porque em ambos os casos envolvem perdas do bem público. Eles sentem indignação e repulsa quanto à forma de fazer política por meio de favorecimentos”. Para Mansur, “está na hora de pegar carona nesse sentimento e pensar em mensagens que apelem para a legalidade. Para o senso de responsabilidade. Para ética. Para o combate à bandidagem na Amazônia. Lembrando que quem depreda uma área pública é criminoso. Quem ocupa floresta pública para especular é invasor de terra. Quem rouba madeira de área de uso sustentável é ladrão. Campanhas que reconheçam esse sentimento terão mais força. Serão as campanhas capazes de nos unir em torno de nossa natureza comum.”

https://exame.abril.com.br/blog/ideias-renovaveis/precisamos-de-uma-lava-jato-da-floresta

 

IBAMA PERDE VERBA, PESSOAL E CAPACIDADE DE AÇÃO

A situação do Ibama está piorando a olhos vistos. O governo Temer cravou a primeira estaca ao contingenciar o orçamento dos últimos dois anos e congelar contratações necessárias para repor funcionários que se aposentam ou simplesmente se afastam do órgão. Dani Chiaretti conversou com Suely Araújo, presidente do Ibama, e com outros altos funcionários do governo. Uma frase de um deles sintetiza o drama: “o órgão será asfixiado. Vão fechar o Ibama esgotando sua capacidade de trabalho”. Nesses dois anos, foi preciso fechar metade dos 140 escritórios espalhados pelo país por falta de recursos. O Ibama vem sendo alvo de ataques de inverdades por parte de Bolsonaro, aparentemente atendendo à  bancada ruralista que quer liberdade para desmatar e invadir terras públicas.

https://www.valor.com.br/brasil/5942345/com-poucos-recursos-e-escassez-de-pessoal-ibama-enfrenta-asfixia

 

FÓRUM ESTADÃO SUSTENTABILIDADE DISCUTE ÁGUA E LIXO

O Estadão promoveu na 4a feira passada o Fórum Sustentabilidade.

Vale destacar alguns pontos:

A mudança do clima está levando a crise hídrica pela qual São Paulo passou a se tornar constante. Os modelos indicam que deve chover cada vez menos sobre o Sistema Cantareira.

Para Pedro Jacobi, da USP, “se o quadro é de escassez hídrica, o governo tem de fazer campanhas contínuas de caráter preventivo. E a Região Metropolitana de São Paulo precisa ser caracterizada permanentemente como uma área afetada pela escassez de água”. Jacobi também comentou a falta profundidade com a qual se trata o tema: “a mídia precisa focar mais no seu papel de prevenção e não de agente da catástrofe”.

Falou-se bastante no Fórum sobre o lixo e sua reciclagem. Foi dito que o Brasil perde R$ 3 bilhões ao ano por não reciclar resíduos, em referência às cerca de 9 milhões de toneladas de recicláveis que foram parar em  lixões.

As matérias sobre o Fórum estão nos links abaixo.

https://sustentabilidade.estadao.com.br

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,falta-de-agua-pode-se-tornar-constante-no-estado-de-sao-paulo,70002559033

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,sociedade-precisa-mudar-postura-sobre-a-agua-sugere-educador,70002559047

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,sustentabilidade-vira-sinonimo-de-competitividade,70002558662

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-perde-r-3-bilhoes-ao-ano-por-nao-reciclar-residuos,70002559053

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,energia-vem-do-lixo-tecnologias-transformam-residuos-em-biogas,70002559063

 

200 MIL PESSOAS EM BANGLADESH PODEM SER FORÇADOS A MIGRAR

A mudança do clima está aumentando o nível do mar nas costas de Bangladesh e isto forçará a migração de uma população de 200 mil habitantes para outro locais. Mas as inundações dos campos não são a principal razão. É que ao invadir plantações, o mar aumenta a salinização do solo e, isso sim, prejudica colheitas e reduz os já escassos rendimentos da população. Pesquisadores relataram na Nature Climate Change que esta população convive há muito com inundações, mas inundações de água doce vindas do transbordamento dos grandes rios Padma e Brahmaputra. A novidade é o sal no solo. A pesquisa também constatou que as famílias de mais recursos conseguem mudar para locais menos vulneráveis. Um dos pesquisadores diz que “restrições financeiras limitam a capacidade das famílias pobres se mudarem para locais distantes, indicando uma dinâmica de uma população encurralada, o que reforça a preocupação com as famílias mais vulneráveis poderem ser as menos resilientes face à mudança do clima”.

https://www.nature.com/articles/s41558-018-0313-8

https://qz.com/india/1432375/climate-change-may-force-200000-people-in-bangladesh-to-migrate

 

PESQUISA DESCOBRE QUE A DISPONIBILIDADE DE NITROGÊNIO PARA A AGRICULTURA ESTÁ DIMINUINDO

Um trabalho que acaba de sair na Nature deixará muita gente confusa. A maior parte dos trabalhos sobre nitrogênio e agricultura estudam o aumento dos processos de eutrofização por conta da aplicação excessiva de adubos nitrogenados. O excesso de nitrogênio e minerais favorece a proliferação de algas em rios e outros corpos d’água. O trabalho de pesquisadores da Universidade de Maryland pegaram bases de dados sobre a composição química de folhas de centenas de espécies coletadas entre 1980 e 2017. Viram que a concentração de nitrogênio diminui ano a ano. Eles identificaram dois “culpados”. O primeiro, e mais importante, é o aumento da concentração de CO2 na atmosfera que diminui a disponibilidade relativa de nitrogênio. O segundo é que, com o aquecimento global, a estação de crescimento das plantas está ficando maior e, portanto, as plantas ficam mais tempo tentando fixar nitrogênio. O nitrogênio é um dos elementos químicos mais importantes na estrutura das proteínas. Assim, os pesquisadores preveem que, logo, esta deficiência terá impactos na cadeia trófica, levando a um gado com menos proteínas. Talvez um motivo a mais para reduzir a demanda de carne.

https://www.sciencedaily.com/releases/2018/10/181022135722.htm

 

FURACÕES ESTÃO SE INTENSIFICANDO MAIS RAPIDAMENTE AUMENTANDO A AMEAÇA ÀS POPULAÇÕES

O furacão Willa começou a atingir a costa do Pacífico do México com força de categoria 3. Há poucos dias atrás, ele era uma simples tempestade tropical. Em 24 horas sua energia cresceu muito rapidamente virando um categoria 5 com ventos aumentando mais de 60 km/h. Um trabalho recém publicado na Geophysical Research Letters analisou a intensificação rápida de furacões. Analisando as intensificações, a média de aumento de velocidade era menos de 50 km/h entre 1986 e 2000. Esta média sobe para 60 km/h, de 2001 para cá. A Climate Central aponta que “conforme o mundo aquece pelo aumento de gases de efeito estufa, as próximas décadas devem ver furacões que intensificam cada vez mais rapidamente.” A importância de uma melhor compreensão deste fenômeno fica clara no caso dos dois furacões que atingiram os EUA recentemente. Tanto o Michael quanto o Florence subiram rapidamente de categoria quando já estavam próximos da costa. Isto dificultou a remoção da população que teve pouco tempo para se proteger. O artigo da New Republic diz que o Willa é a terceiro tempestade sucker-punch, um golpe que pega o atingido completamente desprevenido. Willa chegou à costa mais fraco, como seus dois predecessores.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/22/furacao-willa-alcanca-categoria-5-ao-atravessar-o-pacifico-e-se-aproximar-do-mexico.ghtml

https://newrepublic.com/article/151826/rise-rapid-intensification-hurricanes-willa-michael-florence

https://www.reuters.com/article/us-storm-willa/thousands-evacuated-as-hurricane-willa-descends-on-mexico-idUSKCN1MX0JS

 

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